quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Entre


Eu vivo entre um fedora e uma bandana,
Entre um sobretudo e uma jaqueta de couro,
Entre um sapato bicolor impecável e um all-star rasgado,
Entre uma gravata vermelha e uma camiseta de banda,
Entre um cadillac e uma harley,
Entre jazz e rock n´ roll.
Entre a suavidade da sua pele e a agressividade dos seus beijos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Home


Everything changes. All the time. He had missed her. “It´s alright to say it”, he thought to himself. Of all the things that went through his head, this one felt right. “I hope you mean it as a friend”. Is there another way to miss a person? A whole person? He didn´t say “I miss your lips” though he did. He didn´t say “I miss your body close to mine” though he did. He didn´t even say “I miss the peace of mind that being with you brings me”. And he missed that last one more than the others. No. He simply said “I missed you”. He felt that meant the company. The actual presence of the person. And in the end, a friend is all you can hope someone is to you. The rest can be tainted. Broken. Forgotten. The rest is lust.
He didn´t feel at home. He wished he could relate to that Metallica song that said “Where I lay my head is home”. But he didn´t. He felt more like Silverchair´s “Body and soul, I´m a freak. I´m a freak. If only I could be as cool as you.” He sang that and felt like shit. A creep, a weirdo. “What the hell am I doing here.” But he had to stay. Sleeping in a room with 7 other guys. Away from the place he likes to lay his head. Where he felt like being friends with the king. But then again, what makes home? He felt at home in her hips. Comfortable. Happy.
Now we have him walking around town. Aimlessly. “Nothing happens if there´s no chance of nothing happening. It sounds obvious, but how long do we keep on waiting for magical solutions?” Not that he felt that walking was leading him somewhere. It just felt better than sitting on the bed. There´s always a bar, though.
He ordered another drink and looked around. She was alone. He was drunk. “I´m waiting for my girlfriend” she said. “Oh, sorry then.” “No, I didn´t mean it like that.” Her name was Nancy. “Very American”, he thought. They kissed. Briefly. It didn´t feel like nothing more than shaking hands. “It was a great kiss, though” she said. He just wanted to get home. To her hips. Hers, not these. Home.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Elogios


O que fazer com um elogio? Alguns só trazem um sorriso ao rosto, alguns nem isso. Alguns dão medo quando não são o que se espera. “Como assim eu tenho talento para humanas? Meu negócio é exatas, passei a vida inteira com essa certeza.” Outros – adoraria fingir que raros – deixam a gente sorrindo mais que uma guerra de cocégas. São desses elogios que hoje eu tenho medo. Tanto de receber quanto de fazer. Elogios que soam como comprometimentos. Mas a gente nunca sabe quais deles vão ser assim. Porque às vezes um mero elogio a um sorriso pode ser interpretado como algo tão maior. E, imagina, machucar alguém é a última coisa que eu quero. Mesmo eu me dispondo tanto a ser machucado por esses mesmos simples elogios a um sorriso. Mas, deus permita, nunca ninguém vai ficar sabendo. Sentimentos são fraquezas. Sentimentos assustam mais que elogios. Qualquer menção de sentimento já vale por um “seus olhos, mesmo sem eu saber que eram seus, já estiveram em vários dos meus poemas de amor.” É melhor não. É melhor você ficar aí, longe mesmo de mim. Dessa vez, pelo menos, eu não quero me trancar com você aqui.

E se você pensa que isso é só a modernidade, coisa dessa nova geração aí, minha interpretação do último verso do poema das sete faces do Drummond talvez mude sua opinião. Não precisa procurar o poema no google, não. É assim: Eu não devia te dizer/ mas essa lua/ mas esse conhaque/ botam a gente comovido como o diabo.

“Olha aí” diz você “Tá aí um homem que não tem medo de falar do que sente. Tá comovido. É a lua. É o conhaque. Mas tá aí o homem comovido.” Para você eu pergunto: o que diabos comovido significa? Mais importante é o que vem antes “Eu não devia te dizer”. Porque ele acaba não dizendo. Desiste. Se afasta. Mas agora que ele já disse que não devia dizer, agora que ele já falou da lua, ele precisa falar alguma coisa. Então, timidamente, joga a culpa no conhaque e se põe comovido. Com a noite. Não com Ela. A Drummond, como a mim, faltam bolas.

Pior, sobra medo de que te faltem também.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Carta a uma decepção


Na verdade eu deveria te agradecer. Sério. Já fiz muita besteira por pura carência e não queria fazer besteira com você. Não por achar que você é tão especial assim. Mas porque é perda de tempo. Para nós dois. Não é o que eu quero de verdade, por mais que fosse parecer que é. Por mais que eu saiba que eu sei fingir melhor que ninguém. Os longos olhares. O sofrimento. Eu finjo bem porque é real. Porque eu amo ou eu pouco me importo. Não tenho medo disso. E eu sei que você tem. Até porque meu amor passa tão rápido. Eu iria até a Lua por você em um dia. Arriscaria tudo. Mas no dia seguinte eu acordo interessado em outro mundo. Porque cada pessoa é um mundo, sabe? E não é que eu não vá sentir sua falta. Vou, sim. Igual um velho loucão tendo um flashback do ácido que ele tomou em Woodstock.

Vai funcionar assim: eu vou estar fazendo uma coisa que não me ocupa muito. É importante que eu esteja pensando em nada. Dando espaço para o cérebro respirar. O mais comum é no domingo. Mas qualquer dia deitado na cama também pode funcionar. E aí, pode ser por alguma referência que apareça ou simplesmente algum elo de uma cadeia de pensamento que me lembre você, mas eu vou lembrar que você existe. Aí, eu vou lembrar de como você era legal. Dependendo do dia, eu posso até tentar fazer alguma coisa sobre o fato de você ter sumido. Mas provável que não. Mas por alguns momentos eu vou sentir como se você fosse a mulher mais espetacular do planeta. Racionalmente, eu vou saber que não. Mas a sua memória vai pular no meio peito e apertar até eu não conseguir me mexer. Depois vai passar. Mas imagino que é legal saber que sua memória causa isso em alguém, não? Eu ia achar legal.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Exorcismo


Eu tenho vontade de te exorcizar. Porque possessão é a melhor descrição para o que você fez comigo. Sinto como se eu pudesse girar minha cabeça igual a menina do filme. Me parece que flutuo suspenso no ar sempre que você está perto. Nem perto, só na minha memória já é o suficiente. E essa sua presença me faz mal. Me impede a vida. É sem querer, eu sei. Não acho que essa foi sua vontade. Essa não foi minha vontade também. Só que agora eu não sei o que fazer com isso. Já estou possuído e não existe exorcismo para sentimentos. Deus sabe que o álcool já tentou.

sábado, 3 de novembro de 2012

O incômodo


Os românticos diriam que é a tristeza que produz a arte. Não é bem assim. Mas eles não estavam completamente errados. O contentamento é passivo. Não gera nada. É o incômodo que nos move. A tristeza é só uma das formas de incômodo. A ambição é também um incômodo, por exemplo. Mesmo sem ter muito a ver com tristeza. O descontentamento é o que leva a ação. E nós só existimos por meio da evolução, por movimento. Então, se eu digo que você me incomoda, encare isso como um elogio. Só encare como um grande elogio.

Da leveza do amor tranquilo

Ela me disse: eu quero a leveza de um amor tranquilo. Amor fácil, meu bem, é para quem tem dificuldade de amar. Para quem encontra no outr...