quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Entre
Eu vivo entre um fedora e uma bandana,
Entre um sobretudo e uma jaqueta de couro,
Entre um sapato bicolor impecável e um all-star rasgado,
Entre uma gravata vermelha e uma camiseta de banda,
Entre um cadillac e uma harley,
Entre jazz e rock n´ roll.
Entre a suavidade da sua pele e a agressividade dos seus
beijos.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Home
Everything changes.
All the time. He had missed her. “It´s alright to say it”, he thought to
himself. Of all the things that went through his head, this one felt right. “I
hope you mean it as a friend”. Is there another way to miss a person? A whole person?
He didn´t say “I miss your lips” though he did. He didn´t say “I miss your body
close to mine” though he did. He didn´t even say “I miss the peace of mind that
being with you brings me”. And he missed that last one more than the others.
No. He simply said “I missed you”. He felt that meant the company. The actual
presence of the person. And in the end, a friend is all you can hope someone is
to you. The rest can be tainted. Broken. Forgotten. The rest is lust.
He didn´t
feel at home. He wished he could relate to that Metallica song that said “Where
I lay my head is home”. But he didn´t. He felt more like Silverchair´s “Body
and soul, I´m a freak. I´m a freak. If only I could be as cool as you.” He sang
that and felt like shit. A creep, a weirdo. “What the hell am I doing here.”
But he had to stay. Sleeping in a room with 7 other guys. Away from the place
he likes to lay his head. Where he felt like being friends with the king. But
then again, what makes home? He felt at home in her hips. Comfortable. Happy.
Now we have
him walking around town. Aimlessly. “Nothing happens if there´s no chance of
nothing happening. It sounds obvious, but how long do we keep on waiting for
magical solutions?” Not that he felt that walking was leading him somewhere. It
just felt better than sitting on the bed. There´s always a bar, though.
He ordered
another drink and looked around. She was alone. He was drunk. “I´m waiting for
my girlfriend” she said. “Oh, sorry then.” “No, I didn´t mean it like that.”
Her name was Nancy. “Very American”, he thought. They kissed. Briefly. It
didn´t feel like nothing more than shaking hands. “It was a great kiss, though”
she said. He just wanted to get home. To her hips. Hers, not these. Home.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Elogios
O que fazer com um elogio? Alguns só trazem um sorriso ao
rosto, alguns nem isso. Alguns dão medo quando não são o que se espera. “Como
assim eu tenho talento para humanas? Meu negócio é exatas, passei a vida
inteira com essa certeza.” Outros – adoraria fingir que raros – deixam a gente
sorrindo mais que uma guerra de cocégas. São desses elogios que hoje eu tenho
medo. Tanto de receber quanto de fazer. Elogios que soam como comprometimentos.
Mas a gente nunca sabe quais deles vão ser assim. Porque às vezes um mero
elogio a um sorriso pode ser interpretado como algo tão maior. E, imagina,
machucar alguém é a última coisa que eu quero. Mesmo eu me dispondo tanto a ser
machucado por esses mesmos simples elogios a um sorriso. Mas, deus permita,
nunca ninguém vai ficar sabendo. Sentimentos são fraquezas. Sentimentos
assustam mais que elogios. Qualquer menção de sentimento já vale por um “seus
olhos, mesmo sem eu saber que eram seus, já estiveram em vários dos meus poemas
de amor.” É melhor não. É melhor você ficar aí, longe mesmo de mim. Dessa vez,
pelo menos, eu não quero me trancar com você aqui.
E se você pensa que isso é só a modernidade, coisa dessa
nova geração aí, minha interpretação do último verso do poema das sete faces do
Drummond talvez mude sua opinião. Não precisa procurar o poema no google, não.
É assim: Eu não devia te dizer/ mas essa lua/ mas esse conhaque/ botam a gente
comovido como o diabo.
“Olha aí” diz você “Tá aí um homem que não tem medo de falar
do que sente. Tá comovido. É a lua. É o conhaque. Mas tá aí o homem comovido.”
Para você eu pergunto: o que diabos comovido significa? Mais importante é o que
vem antes “Eu não devia te dizer”. Porque ele acaba não dizendo. Desiste. Se
afasta. Mas agora que ele já disse que não devia dizer, agora que ele já falou
da lua, ele precisa falar alguma coisa. Então, timidamente, joga a culpa no
conhaque e se põe comovido. Com a noite. Não com Ela. A Drummond, como a mim,
faltam bolas.
Pior, sobra medo de que te faltem também.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Carta a uma decepção
Na verdade
eu deveria te agradecer. Sério. Já fiz muita besteira por pura carência e não
queria fazer besteira com você. Não por achar que você é tão especial assim.
Mas porque é perda de tempo. Para nós dois. Não é o que eu quero de verdade,
por mais que fosse parecer que é. Por mais que eu saiba que eu sei fingir
melhor que ninguém. Os longos olhares. O sofrimento. Eu finjo bem porque é
real. Porque eu amo ou eu pouco me importo. Não tenho medo disso. E eu sei que
você tem. Até porque meu amor passa tão rápido. Eu iria até a Lua por você em
um dia. Arriscaria tudo. Mas no dia seguinte eu acordo interessado em outro
mundo. Porque cada pessoa é um mundo, sabe? E não é que eu não vá sentir sua
falta. Vou, sim. Igual um velho loucão tendo um flashback do ácido que ele
tomou em Woodstock.
Vai
funcionar assim: eu vou estar fazendo uma coisa que não me ocupa muito. É
importante que eu esteja pensando em nada. Dando espaço para o cérebro
respirar. O mais comum é no domingo. Mas qualquer dia deitado na cama também pode
funcionar. E aí, pode ser por alguma referência que apareça ou simplesmente
algum elo de uma cadeia de pensamento que me lembre você, mas eu vou lembrar
que você existe. Aí, eu vou lembrar de como você era legal. Dependendo do dia,
eu posso até tentar fazer alguma coisa sobre o fato de você ter sumido. Mas
provável que não. Mas por alguns momentos eu vou sentir como se você fosse a
mulher mais espetacular do planeta. Racionalmente, eu vou saber que não. Mas a
sua memória vai pular no meio peito e apertar até eu não conseguir me mexer.
Depois vai passar. Mas imagino que é legal saber que sua memória causa isso em
alguém, não? Eu ia achar legal.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Exorcismo
Eu tenho vontade de te exorcizar. Porque possessão é a
melhor descrição para o que você fez comigo. Sinto como se eu pudesse girar
minha cabeça igual a menina do filme. Me parece que flutuo suspenso no ar
sempre que você está perto. Nem perto, só na minha memória já é o suficiente. E
essa sua presença me faz mal. Me impede a vida. É sem querer, eu sei. Não acho
que essa foi sua vontade. Essa não foi minha vontade também. Só que agora eu não
sei o que fazer com isso. Já estou possuído e não existe exorcismo para
sentimentos. Deus sabe que o álcool já tentou.
sábado, 3 de novembro de 2012
O incômodo
Os românticos diriam que é a tristeza que produz a arte. Não
é bem assim. Mas eles não estavam completamente errados. O contentamento é
passivo. Não gera nada. É o incômodo que nos move. A tristeza é só uma das
formas de incômodo. A ambição é também um incômodo, por exemplo. Mesmo sem ter
muito a ver com tristeza. O descontentamento é o que leva a ação. E nós só
existimos por meio da evolução, por movimento. Então, se eu digo que você me
incomoda, encare isso como um elogio. Só encare como um grande elogio.
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