<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793</id><updated>2011-11-27T15:33:38.912-08:00</updated><category term='Poesia fraca'/><category term='utilidade pública'/><category term='desenhos'/><category term='Os nomes'/><category term='Literatura barata'/><category term='publicidade'/><category term='Isabel'/><title type='text'>Eddy is no more</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-5048747193420538073</id><published>2010-10-16T14:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-18T09:30:20.718-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><title type='text'>Screwdriver</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/TLx03bkF6KI/AAAAAAAAAB4/fh64DXkBI10/s1600/screwdriver.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 312px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/TLx03bkF6KI/AAAAAAAAAB4/fh64DXkBI10/s320/screwdriver.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529422938144893090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porteiro deve ter deixado ela entrar sem falar nada. Afinal de contas, ela vinha e ficava tanto tempo na minha casa que ele deve ter achado que ela morava aqui. A porta abriu de repente. Eu não estava esperando ninguém àquela hora. Muito menos numa terça feira. Cambaleava lentamente, como uma equilibrista experiente. Parou quando encostou as costas na porta fechada. Tirou uma garrafa de vodka da bolsa, daquela pequenas que vendem em lojas de conveniência de postos de combustível. Abriu e estendeu a garrafa na minha direção. Concordei de leve com a cabeça. Mais para tirar a garrafa da mão dela do que de fato pela bebida. Levantei, agarrei a vodka e fui até a cozinha pegar um pouco de gelo. Ela ficou inerte na porta, me observando com os olhos manchados de maquiagem, como se tivesse chorado. Qualquer pessoa de boa alma que reparasse nela na rua perguntaria se estava tudo bem. Era bonita e inspirava esse tipo de confiança nas pessoas. Mas você pode imaginar que nào existem muitos pedestres de boa alma na madrugada de São Paulo. Ela não deveria ter vindo para cá. Isso não vai dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloco suco de laranja na minha vodka e só suco de laranja num copo para ela. Com sorte, ela nem vai reparar. Quando voltei, ela tinha se movido. Estava largada no sofá, cigarro recém aceso na boca, olhando as botas. Quando entrei na sala ela olhou para mim. Um sorriso com cigarro no canto da boca. Me ajuda a tirar? Deixei os copos perto da TV, que passava um documentário sobre Noel Rosa, e ajudei os pés dela a se livrarem do couro que os sufocava. O pé dela não era muito bonito. Bem, pelo menos alguma coisa não podia ser. Dei o suco de laranja para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas coisas, primeira: coloca um rock ai, porque to sem saco pra samba, segunda: você não tem que cuidar de mim, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por que você veio aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu gosto da sua companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garota, a gente terminou já tem dois meses. Você não acha que isso faz mal para você? Vir aqui, eu digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho. Mas ficar longe também faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou em silêncio e eu também não tinha mais o que dizer. Devem ter se passado uns 5 minutos pelo menos antes de algo ser dito, porque foi bem na hora que ela apagou aquele cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que eu só queria entender porque eu sinto tanta falta sua. Você é feio, e sinceramente tem se provado um puta cuzão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso eu não tenho com te responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que você me deixou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de falar sobre isso, já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela jogou o copo na parede logo ao meu lado, com raiva. Já passou? Já passou pra quem, seu filho de uma puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: lucida grande; font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;*Desenho de Amanda Talhari&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-5048747193420538073?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/5048747193420538073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=5048747193420538073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5048747193420538073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5048747193420538073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/10/screwdriver.html' title='Screwdriver'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/TLx03bkF6KI/AAAAAAAAAB4/fh64DXkBI10/s72-c/screwdriver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4100191689532325332</id><published>2010-09-28T18:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-28T18:52:20.472-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><title type='text'>A sorte nunca é pura</title><content type='html'>Algumas pessoas passam anos estudando para ganhar dinheiro. Outras esperam por alguma oportunidade que elas nem sabem direito o que é. Sentam e torcem para serem atropeladas pela sorte. Eu estaria em alguma categoria do meio disso. O cinza perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudei por alguns anos. Muito mais do que a média da população brasileira. Mas faço a vida com a sorte. Não chego a ser uma aberração. Não acho milhares de reais na rua todo dia. Nunca achei um bilhete premiado da Megasena. Nem ganhei nas vezes em que joguei. Pelo menos não o prêmio cheio. Já ganhei uma quina, que é uma grana boa, mas nunca esses prêmios acumulados gigantescos que fazem as pessoas fantasiarem com o ócio. Eu nunca ganho dinheiro suficiente para não precisar mais ganhar dinheiro. Mas nunca tive um trabalho formal. Daqueles que você acorda cedo e faz amizades durante o happy hour na sexta. A maior parte dos meus colegas são pessoas compulsivas, que frequentam as casas de jogos nas quais eu vou. Assim como eu, não se divertem mais. Algumas vezes fazemos piada das pessoas que aparecem, riem, ganham, ou perdem, e nunca mais voltam.Outras vezes, sinto que meus colegas têm inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falei que minha sorte não era sobrenatural, mas às vezes parece, até para mim. Teve uma vez que eu saí de casa para comprar meus picoles. Eu gosto muito de picoles. Compro uma caixa por semana. Normalmente vem algum premiado, na maioria das vezes com os prêmios mínimos da promoção do momento. Nesse dia, o chicabon que eu sempre compro tinha acabado. Ai eu pensei “Tá vendo, e depois as pessoas me acusam de ser sortudo.” Comprei uma caixa de Magnun, para variar um pouco, sabe? Absolutamente todos os picoles vieram premiados. Todos. Além de ganhar uma caixa quase inteira de novo, ganhei pelo menos um de cada prêmio da promoção. O prêmio máximo era um carro, que demorou muito tempo para ser entregue porque os caras da agência de promoção fizeram uma investigação para saber porque aquilo tinha acontecido. Acharam que eu tinha trapaceado. Não os culpo, eu também acharia. No dia que o carro novo chegou, meu carro antigo, que eu ainda não tentara vender porque estava esperando a situação com a agência se resolver, foi roubado. Nunca mais acharam o carro. Dois dias depois, a montadora do meu carro antigo fez um recall. Para comemorar a sorte, joguei na megasena os números das placas dos carros. 8456 e 2319. Joguei 8, 4, 56, 23 e 19. Como falto um número, chutei o 40. Foi o único número que eu errei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro não é a única coisa com a qual eu dou sorte. Nunca fui multado, mulheres bonitas discam meu número por engano, consigo chutar uma prova inteira e não errar uma questão. Tudo isso sem nem um mísero talismã. Agora, o que vocês imaginam que um cara com essa sorte toda faz com ela? Eu mesmo não faço nada. Eu só pego o que a vida generosamente me dá, como um nômade. Algumas pessoas plantam árvores para poder colher maçãs, eu sou atingido por elas no meio do deserto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4100191689532325332?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4100191689532325332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4100191689532325332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4100191689532325332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4100191689532325332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/09/sorte-nunca-e-pura.html' title='A sorte nunca é pura'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-9170590107544180534</id><published>2010-07-22T20:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T21:14:19.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Zacarias</title><content type='html'>Zacarias chegou em casa e se perguntou porque insistia em voltar no horário de sempre. Sua esposa, Karen, tinha ido embora já fazia dois anos. Não suportou sua obsessão pelo assassinato da Verônica. Dizia que até a Dona Marta desistira. Na verdade tinha ciúmes. Veja isso, ciúmes de uma mulher morta. Uma menina. Não teria hoje trinta anos.&lt;br /&gt;Zacarias tinha dores de cabeça fortíssimas desde que sua esposa foi embora. O médico não soube dizer porque. O médico não tentou descobrir porque. Cinco minutos de consulta só foi suficiente para prescrever remédios de dor. Mas ele sabia que era da obsessão. Que a dor vinha porque ele não tinha a resposta.&lt;br /&gt;Naquele dia ele tinha sido obrigado a fechar o caso da Verônica. Perdia, finalmente, sua chance de se tornar herói. A imprensa fez todo o circo que pôde em cima do assassinato. Ele acha que isso atrapalhou, mas entende os motivos. Entende a indignação. Hoje, o circo midíatico parece para ele a única redenção que a menina recebeu. Pelo menos as pessoas acharam errado, entende?&lt;br /&gt;Zacarias estava cansado. Há meses pensava em se matar. Hoje achou que não tinha outra escolha. Foi para casa pensando no que ia escrever no bilhete. Não tinha de quem se despedir, mas achou que era importante um bilhete de despedida. Pensou em Karen. Podia mandar uma carta, mas não queria que ela ficasse se remoendo de culpa em cima de um pedaço de papel. Na verdade, queria, mas achou que ia ser uma atitude egoísta.&lt;br /&gt;Sentou-se em uma cadeira de balanço de madeira. Em frente a janela, ficou sentado até o dia amanhecer. Pensou em tudo que conseguiu. Lembrou sua história, e não conseguiu ver o final feliz dos filmes. Ele gostava de finais felizes. Parecia que todo o sofrimento poderia ser justificado se tudo desse certo no final. Todos os fracassos não importavam se no final alguma coisa desse certo.&lt;br /&gt;A dor na cabeça aumentou, mas ele não viu motivos para tomar o remédio. Logo a dor ia passar. Tinha escrito seu nome em uma das balas. Achou a piada interessante. Usou um esmalte que a Karen deixou. Lembrou-se de um filme que falava que as pessoas que deixam coisas importantes fazem isso porque não querem ir embora. E a Karen gostava de esmaltes.&lt;br /&gt;Arma na boca. Oito da manhã. O telefone toca. Karen. “Te acordei?” “Mais ou menos.” “O Zé me ligou. Falou que fecharam o caso da menina. Você tá bem?” “Volta.” “...” “Volta.” “Volto.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-9170590107544180534?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/9170590107544180534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=9170590107544180534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/9170590107544180534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/9170590107544180534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/07/zacarias.html' title='Zacarias'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1773881825698102362</id><published>2010-05-24T21:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-24T21:22:19.907-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Xavier</title><content type='html'>A luz piscando rápida e incessantemente faz com que as pessoas pareçam estar se mexendo devagar. Ela dança como se estivesse sozinha, e pra mim ela está. Completamente sozinha no meio da pista. E com aquela luz ela parece traduzir perfeitamente os movimentos da música. Devagar. Sexy. Pra mim é como se ela não existisse de verdade. Ela é apenas mais uma alucinação causada pelo álcool. Nesse exato segundo não existe ninguém mais bonita que ela no mundo inteiro. As minhas costas se desprendem, com muito custo, da parede do lugar e eu inclino meu corpo pra frente tentando procurar coragem na inércia desse movimento. Mas eu me equilibro pra não cair, e a coragem some. E agora eu estou perdido num mar de pessoas dançantes que esbarram em mim. Eu perdi todas as poses e artifícios no segundo que eu vacilei. Mais dois passos corajosos em direção a ela. Ela olha pra mim. Olha pra mim como se olha um vaso sem flores. É assim que ela me vê. Sempre lá e sempre vazio. Me cumprimenta com um sorriso educado. E eu sinto que não deveria estar ali. Me viro e saio derrotado. Sento em um sofá no canto do lugar. Eu poderia ir embora. Mas não vou. Espero tudo acabar, as luzes se acenderem e o segurança pedir para eu me retirar, A casa tá fechando. &lt;br /&gt;Acordo devagar. Rolo na cama procurando um motivo para me levantar. “É um novo dia” e “as coisas vão ser diferentes” nunca funcionaram pra mim. Mas meus olhos estão abertos. Abro os braços e as pernas. Reúno forças e me levanto mesmo sem motivo, mas só porque não tinha mais motivo pra ficar deitado. Me levanto para ficar de pé, enfim. Caminho pelo meu apartamento vazio e bagunçado. O telefone toca estridente.&lt;br /&gt;Olá, eu estou ligando por causa do currículo que você nos enviou. É o Xavier Ocanha falando, certo? Então, diz aqui que você se formou há dois anos, tem 3 anos de experiência na área, correto? Foi com estágio? Você está disponível agora, não? Seu inglês é fluente, assim como seu espanhol e seu alemão? Ah, o francês também? Por que um poliglota se forma em biblioteconomia? Bem, o emprego é para organização dos arquivos e aplicação do modelo das grandes bibliotecas, sabe? Aquele que é o nome do cara? Então, é esse ai nos volumes que a gente tem aqui, que é mais volume jurídico e histórico mesmo. Você está interessado? A gente pode marcar uma entrevista hoje ainda. Tem como você vir? Fica no Bela Vista mesmo. Três da tarde tá bom? Te vejo aqui.&lt;br /&gt;Entrevista vazia. Normal quando a empresa não tem muita certeza do que quer, ou do que precisa. “Por que um poliglota se forma em biblioteconomia?”. Minha mãe me perguntou isso diversas vezes. Mas ela também nunca entendeu direito o que eu faço. Comecei a trabalhar na organização e na aplicação do sistema Dewey nos volumes do lugar, que era um escritório de advocacia com uma coleção de livros absurdamente grande. Muito desproporcional. O escritório em si tinha umas seis pessoas. Ficava em uma casa no Bela Vista, antiga e grande. Tinha um porão cheio de livros que foram levados para lá por todos os sócios e mais alguns que vieram junto com a compra da casa. Aparentemente, o brinde da compra da casa equivalia a oitenta por cento de toda a coleção, e ninguém sabia exatamente o que tinha lá. Eu entrava no porão todo dia de manhã, levando um lanche para a hora do almoço, e só saia de lá na hora de ir embora. E ninguém me via passar.&lt;br /&gt;Depois de alguns dias nessa rotina, eu cheguei a uma caixa que só continha primeiras edições. Eu não sei como, em um porão úmido e sem a menor preocupação com a preservação dos volumes, eles estavam em tão bom estado. Era como se fosse ouro em uma caixa. Eu pensei mais de dez vezes sobre levar os livros embora. Eles não tinham a menor noção do que tinham ali. Era mais fácil do que tirar doce de criança. Era como comer o doce antes da criança saber que é dela. Eu ia praticamente prestar um serviço público levando essas primeiras edições para mãos que fossem cuidar dela corretamente. Era um dever que eu tinha com a cultura. Mas a culpa me consumia só de pensar no assunto. Naquele dia eu demorei mais que o normal para sair do porão. E quando eu sai, não havia mais ninguém no escritório.&lt;br /&gt;Fui me tocar que era véspera de feriado só depois que eu vi tudo vazio. Testei todas as portas, para ver se alguma estava aberta. E depois comecei a testar as janelas. Achei uma cujo trinco estava quebrado, e não podia ser trancada a cadeado como eram as outras. Foi por ali que eu saí. Fui para casa pensando em como era fácil entrar lá. Ou sair com os volumes em uma ocasião similar. O celular tocou.&lt;br /&gt;Ou, a gente tá aqui num bar perto da sua casa. Happy hour de todo mundo que não vai viajar porque tem que trabalhar na sexta. Passa aqui.&lt;br /&gt;Mais uma vez em direção ao abate cruel da minha auto-estima. Deveriam fazer uma ONG contra a minha mania de socialização. Dá de dez a zero na crueldade do abate de vaquinhas. Se eu fosse um ser social eu não saberia falar cinco línguas fluentemente sem nunca ter saído do país. Aquela vaca não podia ter terminado comigo daquele jeito. Sem aviso prévio, nem nada. Simplesmente “as coisas não estão funcionando”, mais “não é você, sou eu” e a boa e velha “estou numa fase da minha vida na qual não sobra espaço para um relacionamento sério”. Desculpas esfarrapadas. Frases feitas. Deve ter visto algum manual na internet de como terminar sem dar um motivo concreto.&lt;br /&gt;O bar estava mais vazio que o habitual. Muito provável que fosse porque as pessoas estavam indo viajar felizes para cidades a beira-mar. Aonde elas pudessem fritar à milanesa na areia, ao invés de assar lentamente dentro dos ônibus da capital.&lt;br /&gt;Eu fui embora bêbado. Cambaleando e trocando as pernas pela rua, no melhor estilo clássico. As luzes da rua me lembravam filmes noir ruins. Eu esperava a qualquer momento tomar um tiro pelas costas de um sujeito com chapéu e sobretudo. E ele viraria para mim e diria “Jack, eu não posso dizer que não é pessoal, que é apenas negócios. Você não deveria ter se envolvido com a Linda, Jack. Não com a Linda”. E eu sentiria o sangue subir quente pela minha garganta enquanto eu ouvia essas palavras e escorregava pelos braços do meu parceiro na polícia. Tudo isso pensando, sem conseguir falar, que não era a Linda que eu amava, era a Rebecca. E depois a câmera se afastaria, abrindo um plano superior, enquanto um trovão ecoava imediatamente após um relâmpago. E a chuva começava a cair logo antes da tela ficar escura para sempre, e os créditos subirem com um jazz sujo ao fundo.&lt;br /&gt;Eu abri a porta e encontrei um envelope no chão, como se tivesse sido passado por debaixo da porta. Dentro dele um número de telefone. Saquei meu celular e liguei para o número. Uma voz feminina atendeu. Um “alô” tímido, mas com um potencial de ternura imensurável. Falamos por horas. Ela sabia que eu ia ligar. Quem não ligaria? Desligamos quando o sol já estava alto no céu. Ela nunca me falou o nome. Mas me falou para ligar novamente, que iria me encontrar se eu quisesse, mas que ela não explicaria o motivo da carta por baixo da porta a não ser pessoalmente. Eu não teria aceitado isso se eu estivesse sóbrio. Acendi meu cigarro semanal e fumei pensando em como ela seria. Eu tinha todo o feriado pela frente, só não ia viajar por preguiça, ao contrário dos meus amigos condenados ao trabalho.&lt;br /&gt;O corpo dela era como seda na minha pele. Tinha as mãos quentes. Eu sempre tive mãos geladas. Mãos de sushiman. Eu me sentia mal por ainda não saber nada sobre ela, apesar de três dias de esforço. Mas me sentia maravilhosamente bem com a mera presença dela. Ela parou em cima de mim. Me olhando com seus olhos azuis. Ficamos nos olhando pela eternidade mais curta que eu já havia sentido. Ela quebrou o silêncio quando viu que eu demonstrei intenção de começar a falar. “Eu não vou te falar nada. Nós não nos conheceríamos mesmo se falássemos por toda uma vida. Então, ao invés de passarmos a impressão errada um para o outro, não vamos passar impressão nenhuma. Não pense. Se esforce para não pensar sobre isso.”&lt;br /&gt;Não existe “não pensar”. A comunicação e as impressões acontecem independentemente da fala, dos fatos. Pessoas julgam o mundo e classificam as coisas em padrões que fazem sentido para elas. Elas precisam chamar as coisas por algum nome. Mas eu não falei isso para ela. Nós concordamos em inventar nomes um para o outro, apesar de ela saber o meu. Ela sabia muito mais sobre mim. Eu a chamei de Helena. Por ela eu invadiria Tróia, ou compraria uma briga com toda a Grécia. Ela falou que, se fosse para ser grega, preferia ser Ariadne. E começou a me chamar de Teseu. “Sem contar a piada, que é horrível, mas que é fácil” “Que piada?” “Teseu, Tesão...” “Uma coisa eu sei, seu senso de humor não é muito apurado”.&lt;br /&gt;Na segunda-feira eu voltei ao trabalho. Ariadne havia ido embora, prometeu que entraria em contato, que não era para eu procurá-la. Aquele número já havia sido descartado. Eu teria brigado, protestado, mas estava acabado demais por causa do sexo. Concordei, resignado com a situação, apenas para me arrepender depois. Deixei a caixa de primeira edições de lado. Incluiria ela por último na lista. Isso me daria tempo para acariciar minha quebra de moral por mais tempo. Trocar de opinião mais vezes. Além do que, Ariadne não saia da minha cabeça por nada. Eu almoçava naquele porão pensando nela. Eu abria caixas e caixas de livros pensando nela. Eu caminhava lentamente pelas ruas pensando nela. E toda vez que eu abria minha porta, eu esperava por um envelope no chão, com um número dentro.&lt;br /&gt;Meu apartamento tinha apenas três cômodos pequenos. Uma cozinha, uma banheiro e um quarto. Pelo menos essa era a maneira que eu os havia denominado. Você, se preferir, poderia trocar o quarto por sala, sendo o primeiro lugar que se via quando se entrava nele. Tinha uma cama de solteiro e duas cadeiras, sendo que uma delas servia como criado mudo. Na cozinha havia um fogão e uma geladeira. Eu lavava roupa na pia, por falta de um tanquinho. O que não era tão incômodo, e me forçava a lavar a louça sempre que eu acabava de comer, e também a deixar a cozinha organizada. Dois hábitos adquiridos depois de vir para São Paulo. O banheiro possuía as coisas que um banheiro básico devem possuir: chuveiro, privada e pia. Nada mais. Eu havia recentemente colocado um lixinho e parado de usar a própria privada para estes fins. Minhas roupas ficavam penduradas em uma arara no quarto, com os sapatos embaixo e as meias e cuecas em caixas divididas por cores. Meus livros haviam sido todos vendidos para o sebo mais próximo da minha casa durante os dois meses que eu fiquei desempregado graças a demissão causada pelo fato de eu não conseguir sair da cama depois que a vaca foi embora. Pelo menos ela me fez parar de fumar. Não sobrava dinheiro para cigarro. Não parar, mas diminuir drasticamente ao menos.&lt;br /&gt;O sábado chegou. E eu fiquei o dia e a noite inteira em casa esperando contato. Acendi dois cigarros. Eu não tinha fumado tanto desde que a vaca tinha ido. O domingo veio com o mesmo marasmo de sempre. E de repente era segunda. E de novo sexta. E eu andava pelo apartamento sem saber o que fazer. A campainha tocou. Irritante como sempre, mas linda dessa vez. Eu abri a porta. Vestido, com perfume. Eu ficava sempre perfumado para esperar. Era a vaca. Ela entrou pela porta, ignorando minha cara de espanto. Ficou no meio do quarto. Parada, mas continuamente se mexendo. Olhou para mim. “Isso foi um erro, eu vou embora”. E esperou. Esperou para que eu protestasse. Esperou que eu me jogasse de joelhos e negasse o erro. Esperou em vão. A cara de espanto fluiu pelo pequeno apartamento e se tornou a dela. Ela abaixou a cabeça e saiu. Parou na frente e olhou para trás. Não sei se fez menção de voltar. Não segurei a porta aberta para descobrir. Bati forte, como se estivesse batendo nos sentimentos que eu não entendia. Pedindo para que eles fossem embora junto com ela. E eles foram. E só sobrou indignação. Ela, a Ariadne. E eu saí. Bebi cerveja e cachaça. Ouvi samba. Gritei. Fui ridículo. Encontrei amigos e os envergonhei. Me senti vazio, como queria sentir.&lt;br /&gt;Voltei para casa somente para não encontrar nenhum envelope no chão.&lt;br /&gt;No outro dia comprei um caderno. Escrevi várias coisas, nada digno de nota. Escrevi sem me preocupar com línguas, expressando cada conceito, cada palavra, na língua que a fazia soar mais bonita. Um frankenstein linguístico. E conforme a noite se aproximava, eu me cansava de sentir dó de mim mesmo. Liguei para alguns amigos e fui procurar alguma coisa para fazer.&lt;br /&gt;No lugar onde fomos as luzes piscavam e somente nesses momentos quebravam a escuridão. E ele estava cheio de mulheres. E eu conheci uma que me agradou. Era bonita e falava mais do que eu. O que é muito bom quando não se fala muito. E ela me beijou. E quando eu fui buscar uma cerveja, eu vi a Ariadne. Ela nem olhou para mim, mas eu sabia que era ela. Eu fui até ela e falei com ela. Ela fingiu que não me conhecia. Discutimos. Era ela. Tinha que ser ela. Ela falou que se chamava Verônica, não Ariadne. As amigas dela a tiraram de perto de mim. Me fizeram manter distância. A mulher que estava comigo antes viu tudo. Sumiu depois disso. Eu bebi mais. Arranjei uma briga. Voltei para casa com olho roxo para enfrentar o domingo.&lt;br /&gt;Eu gostaria de falar que depois desse episódio eu esqueci a Ariadne. Ou a Verônica. Mas o pensamento só ficou mais forte na minha cabeça.  Eu usava todo o meu tempo livre pensando em maneiras de encontra-la. Esperando avistar ela pelas ruas. Os meses se passaram. Eu havia levado as primeiras edições para casa como parte de um plano para encontra-la. Iria contratar um detetive. E precisava de dinheiro para isso. Estava trabalhando no escritório ainda. Estava agora trabalhando com os documentos de casos. Organizando as coisas para que eles achem casos similares com rapidez. Consegui o telefone de um detetive que trabalhava com casos de divórcio. O nome dele era Camilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1773881825698102362?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1773881825698102362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1773881825698102362' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1773881825698102362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1773881825698102362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/05/xavier.html' title='Xavier'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-702733930088884754</id><published>2010-05-23T19:29:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T19:30:09.278-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Walter</title><content type='html'>Walter olhou para o relógio esperando uma resposta que ele naturalmente não conseguiu. Não era na máquina que ele procurava essa resposta, e era apenas isso que o círculo na parede era. Os ponteiros que desciam não o levavam a lugar nenhum. A criança continuava sentada no canto da sala, brincando com um carrinho de metal. Como quatro anos poderiam ter se passado tão rápido? Na verdade, quase cinco.&lt;br /&gt;O menino tinha batido na porta duas horas antes. Estava assustado e carregava um papel. Enquanto ele lia, pensava no quão cliché aquilo era.  “Rodrigo, você é um homem difícil de achar. Principalmente porque esse nem é seu nome, né? Você podia ter me falado isso. Eu queria que seu filho tivesse o nome do pai. Mas acho que Rodrigo é tão bom quanto qualquer outro nome. Eu estou cansada e doente. Não posso mais cuidar dele. Eu torço para que você viva mais tempo que eu. Sabrina.” Depois disso ele falou para o menino sentar. Desde então, anda pela casa e olha para o relógio.&lt;br /&gt;Pegou o computador e viu o saldo de sua conta e de suas aplicações. Depois, fez todas as contas para saber quanto o menino iria custar e quanto ele teria de renda sem nunca mais trabalhar. Pela segunda vez direcionou a voz para o menino. “Vem, eu tenho que me livrar de algumas coisas e você não pode ficar sozinho.” O menino levantou, obediente e assustado, e seguiu seu pai até a casa vizinha. “Beatriz, você pode cuidar do meu filho por uma hora?” “Desde quando você tem filho?” “Eu já volto. Você pode cuidar do meu filho?” “Estamos misteriosos?” “Sem gracinhas, e sem perguntas para o menino. Explico depois. Pode?” “Claro. Claro.”&lt;br /&gt;O menino achou a casa feia. E por achar tão feia, seu olhar não parava. A mulher entendeu aquilo como interesse e passou a explicar o significado de tudo. A ligação que todos nós temos com a mãe terra e coisas que pareciam histórias infantis.&lt;br /&gt;Seu pai voltou, mas eles ainda ficaram algum tempo na vizinha. Ele vendo TV, e o pai conversando na cozinha com a mulher. Depois, eles voltaram para casa e o pai perguntou se a mãe dele tinha dito como ele se chamava. O menino respondeu que sim. Então, o pai segurou seu rosto carinhosamente e disse para ele nunca mais chama-lo de Rodrigo. Rodrigo era só o menino. O pai era Walter. A partir de agora, para sempre Walter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-702733930088884754?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/702733930088884754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=702733930088884754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/702733930088884754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/702733930088884754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/05/walter.html' title='Walter'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-946815529843723901</id><published>2010-03-07T18:51:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T18:52:12.628-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Verônica</title><content type='html'>Verônica não gostava de ser menina. Tinha que ficar limpa, educada, sorridente e simpática o tempo todo, e um pouco mais quando tinha visita. Enquanto isso, os meninos podiam se sujar, correr e se machucar à vontade. Até tomavam bronca depois, mas era isso que se esperava deles. Ninguém espera de um menino o comportamento que era esperado dela. E, quando um dos meninos se comportava bem, os outros meninos, e mesmo outros pais, achavam estranho. Mas nunca os pais da criança. Ficavam inconformados com toda a barbárie, quando até a própria Verônica sabia que eram simplesmente crianças.&lt;br /&gt;Verônica cresceu e perdeu parte da vontade de ser menino. Sempre teve mais amigos do que amigas, mas gostava de não ser um deles. A atenção especial de ser diferente agradava a menina. E ela aprendeu rápido a usar essa atenção a seu favor. Uma atitude que sua mãe odiava. Seu pai, no entanto, encorajou enquanto esteve presente. Dizia que todos os talentos devem ser explorados, desenvolvidos. Nunca se sabe quando vamos precisa de um deles, não é, filha? Um infarto fulminante interrompeu os conselhos do pai quando ela ainda tinha 15 anos. Seu ódio pela mãe, ainda menos presente que o pai, cresceu, e quando ela tinha 20 anos, já não se falavam completamente.&lt;br /&gt;A mãe de Verônica também não gostava de ser menina. Não pelos mesmos motivos que ela, mas pelo que significava ser menina na época em que havia crescido. Hoje, ela adorava ser menina, principalmente do jeito dela. Dava um sabor especial em todas as conquistas da vida, por menores que fossem. Acabou dando uma amargura especial quando a filha desapareceu depois de diversas brigas. E o mundo quase ruiu quando foi identificada a ossada dentro de um carro queimado não-identificado.&lt;br /&gt;Verônica gostava de brincar. Muitas vezes, brincava mais do que devia. Vivia num mundo verde e fantasioso, onde podia tudo. O dinheiro comprava sua inocência e sua pureza. Cresceu livre e amoral. Forte e insana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-946815529843723901?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/946815529843723901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=946815529843723901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/946815529843723901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/946815529843723901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2010/03/veronica.html' title='Verônica'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-87984167752463317</id><published>2009-08-17T11:18:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T11:21:58.713-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='publicidade'/><title type='text'>Varanda NovAmérica</title><content type='html'>Sumido, mas tem bom motivo. Propaganda minha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.propmarktv.com.br/propmark/swf/player.swf"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="flashvars" value="file=http://www.propmarktv.com.br/upload/uploads/CYRELA-Varanda.flv&amp;image=http://www.propmarktv.com.br/upload/thumbnails/CYRELA-Varanda.jpg&amp;logo=http://www.propmarktv.com.br/propmark/images/logowatermark.png&amp;skin=http://www.propmarktv.com.br/propmark/swf/modieus.swf"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.propmarktv.com.br/propmark/swf/player.swf" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344" flashvars="file=http://www.propmarktv.com.br/upload/uploads/CYRELA-Varanda.flv&amp;image=http://www.propmarktv.com.br/upload/thumbnails/CYRELA-Varanda.jpg&amp;logo=http://www.propmarktv.com.br/propmark/images/logowatermark.png&amp;skin=http://www.propmarktv.com.br/propmark/swf/modieus.swf"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Guilherme Almeida assina o roteiro comigo. Ou eu assino com ele. Alguem sabe se tem diferença?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-87984167752463317?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/87984167752463317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=87984167752463317' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/87984167752463317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/87984167752463317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/08/sumido-mas-tem-bom-motivo.html' title='Varanda NovAmérica'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-8159925375867760071</id><published>2009-07-18T20:14:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T20:19:27.031-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Ulisses</title><content type='html'>Eu não venho de uma família importante. Na verdade, acho que ninguém da minha família nas últimas gerações saiu do anonimato. Nenhum herói. Pelo menos não no sentido de se tornar conhecido pelos seus atos, ou de mudar o pensamento das pessoas. Eu, obviamente, sempre tive meus heróis. Aquelas pessoas que eu admirava e tomava como padrão de comportamento. E eles foram aos poucos morrendo e perdendo lugar na minha cabeça. Hoje, eu não os tenho. Pelo menos não daqueles que você quer copiar. Eu tenho pessoas que eu admiro, mas me falta um herói de verdade. Inabalável. Inteligente. Uma pessoa que possa ser admirada. Alguém que eu acredite que faria as escolhas certas se estivesse no meu lugar. Porque eu preciso acreditar que alguem faria. Porque eu tenho certeza que eu não as faço. Nem vou conseguir fazer. Eu não quero assumir responsabilidade pelos meus atos. Eu quero ser o centro do mundo. E eu não posso fazer isso me sentindo culpado pelo fato de que se eu não fizer a coisa certa, ninguém vai fazer. Eu odeio essa culpa. Eu quero ser expiado dessa culpa. E aonde está meu herói? Jogado em algum emprego ruim? Ignorado porque o seu trabalho não condizia com o que era padrão e ele não quis se vender? Meu herói nunca vai aparecer. E de que me importa um herói anônimo? Como eu vou expiar minha culpa pelas ações de alguém que eu não conheço? Que se fodam os heróis anônimos desse mundo. Esses inúteis que encaram a realidade sem as armas pra isso. Só me sobram atos heróicos de pessoas comum. E esses só me afundam mais na minha culpa. Mundo de merda. Piada sem graça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-8159925375867760071?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/8159925375867760071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=8159925375867760071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8159925375867760071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8159925375867760071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/07/ulisses.html' title='Ulisses'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6209284268418479906</id><published>2009-07-13T19:39:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T19:40:59.261-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Tamires</title><content type='html'>Colaboração externa, no caso, da Amanda, minha namorada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tamires&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acaba de puxar a meia 7/8 (sete oitavos) devagar, mas sem cuidado ou atenção. Acostumou-se a sentir o elástico apertando a perna, dividindo um pouco a carne. Passou de novo o batom escuro - os lábios haviam perdido a cor para o copo - e logo puxou um e outro olho, esticando para contorná-los. Envolveu-se em preto, apertou as amarras que lhe destacavam a cintura, e subiu em seus sapatos de verniz. Como de costume.&lt;br /&gt;Foi com sua expressão cliché blasé, que tanto se esforçara para representar e hoje surgia naturalmente (não pelo treino, mas involuntariamente). Estava ficando velha para aquilo. A perspectiva de dançar todo dia na balada e ainda ganhar dinheiro por isso deixou de ser seu mundo ideal havia algum tempo.&lt;br /&gt;Subiu no balcão e começou a dançar como fazia há 8 anos, talvez com menos paixão, mas com uma sensualidade reproduzida no ritmo com precisão. Não se lembra de quando deixou de se sentir em um desenho dos anos 30, daqueles em tons sépia que têm alguns quadros faltando e rodam dando "pulinhos", onde as pessoas têm grandes cílios e belas pernas. O filme ficou devagar, saiu do rolo e a tela ficou branca. Foi-se o glamour, o "wanna be", a ânsia de ser aquela personagem, e ficou a dependência dos olhos vidrados de tesão,o admiração e álcool. Vício em um mar convulsivo de indivíduos quase inertes que olhavam para cima e viam nela uma deusa. De sentir olhos percorrendo a linha branca de seu calcanhar até o fim da coxa. Fechou o casaco e saiu pela porta dos fundos. So restavam lá dentro os que não tiveram consciência das luzes acesas e as vassouras dançantes.&lt;br /&gt;Andou sozinha em paralelepípedos pretos e úmidos, apertando os braços. Chegou em seu apartamento e deitou-se no sofá. Acendeu um cigarro. Estava com ressaca de tantos cigarros que fumou sem encostar. Continuou com ele aceso. Abriu o casaco, e virou os quadris lentamente para um lado e depois para o outro, olhando seu corpo serpentear. Assim queria ser vista. Ou não. Fechou o casaco com um movimento brusco. Levantou-se e foi pegar uma bebida ambarada na cozinha. Encostou, pé na parede, olhar atravessando o chão, uma mão na cintura servindo de apoio ao cotovelo, a unha do dedão presa entre dentes e o cigarro ao lado dos olhos distantes. Foda-se como me vêem... bostas. Dizem estar sujeitos ao que o corpo manda, sem voz, sem voto, sem consciência. "é necessidade..." "eu não queria...". Áh, vá. Vão todos pra grande puta gorda que pariu, nunca serviram de nada e nem vão servir.&lt;br /&gt;O que largou ela com fitinhas no cabelo e promessas de arco-íris, o que fez ela acreditar que era diferente, o que fez ela sentir a primeira dor fora do peito, o que 'não queria' ter magoado ela, o que a pôs em um pedestal e se deleitou com as plebéias, o que lhe deu o primeiro tabefe/murro, o que lhe deu o último, o que sumiu do mapa, o que se apaixonou pela melhor amiga, o que se esqueceu dela por duas mais novas, o que lhe roubou por um pico, os que lhe deram rugas, cicatrizes, marcas, pesos, e esse olhar cansado. &lt;br /&gt;'Fodam-se todos eles. Não foi falta de amostragem, homem é estatisticamente um bixo fraco de merda. O que importa é o fim, não o começo. Claro que cada um é diferente de início. Inteligente, adorável, irresistível, quente, boêmio, poeta, músico, estiloso, cheiroso, bom filho, bom irmão, bom amante e quem sabe bom marido, cada um com seus predicados, que vão dar na mesma merda. Rimel espalhado pelo rosto e remédio pra dormir.'&lt;br /&gt;Colocou o copo vazio na pia saia da cozinha quando o telefone tocou.&lt;br /&gt;Tá. to precisando de você. (Esse aí também não presta. Mas esse fardo não é meu)&lt;br /&gt;Fala Fábio...&lt;br /&gt;Contou a ela de alguma merda que tinha feito com alguma dondoca que namorava. De novo. &lt;br /&gt;'Ele se liga numa coroa... Édipo mal resolvido. Ou complexo de bon vivant. Preguiça de pegar no batente, falta de figura paterna. Taí uma coisa para a qual os homens podem prestar: evitar que existam mais merdinhas no mundo, dando um exemplo decente (mesmo que falso). Eu sou mais a minha mãe. Deus me livre ser como ela... Mas tenho que dar o crédito. Ninguem levantou um puto dedo pra ajudar ela. Nem eu. E ela fez tudo sozinha. Nunca precisou de ninguém. Homem que aparecia era só atraso de vida, por isso não se envolveu com nenhum. Minha mãe é a virgem maria. No fim meu irmão cresceu estragado... mas é a vida.'&lt;br /&gt;Ele se despediu, e ela acordou de seu devaneio psicanalítico de programa de bafão. Foi tomar banho, limpou a alma, deitou de roupão para ver alguma coisa leve na TV, mas não tirou o preto dos olhos. Pra ficar bem claro quem ela tinha se tornado, e não esquecer que não dava pra voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6209284268418479906?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6209284268418479906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6209284268418479906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6209284268418479906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6209284268418479906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/07/tamires.html' title='Tamires'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-5947170336436353260</id><published>2009-05-18T09:44:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T09:45:23.575-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Sabrina</title><content type='html'>- Você tem medo de relacionamento.&lt;br /&gt;- Não, não tenho, Rodrigo. Existe uma diferença gigantesca entre eu não querer nada com você e eu ter medo de relacionamento.&lt;br /&gt;- Eu não tô falando de mim. Eu tô falando de maneira geral.&lt;br /&gt;- Claro que não, você só acha isso porque eu não quero nada sério com você.&lt;br /&gt;- Larga de ser burra. Eu não sou assim. Eu tô fazendo uma análise séria. &lt;br /&gt;- E quem te pediu pra fazer uma análise séria? E burra é a mãe.&lt;br /&gt;- Cala a boca e deixa eu falar. Tudo o que você faz é pra evitar relacionamento. Eu não estou falando que é por isso que você não quer nada comigo. Eu estou falando que, de maneira geral, você evita se aproximar de verdade das pessoas. Você acaba se envolvendo fisicamente antes de deixar alguma coisa &lt;br /&gt;- Você não pensa isso de verdade, né?&lt;br /&gt;- É tipo o Don Juan, que não queria ter um relacionamento sério com ninguém. No fundo, ele ficava com muitas para permanecer fiel a idéia de uma que ele não poderia ter. Então, enquanto ele se envolvesse com todas indiscriminadamente, ele estaria sendo dialeticamente fiel àquela que ele não pode ter.&lt;br /&gt;- Num entendi nada.&lt;br /&gt;- Esquece.&lt;br /&gt;Ele se levantou da cama e colocou a calça. Chegou perto da janela e acendeu um cigarro, olhando as pessoas passando na rua. Ele realmente estava gostando dela, e não deveria estar. E ele sabia disso. E ele tentava arranjar mil desculpas e defeitos e problemas e gastava boa parte do seu tempo com isso. Ele não podia se envolver. Estava feliz assim. Já fazia dois meses que ele estava com o mesmo nome. Não que tenha dado algum problema, mas é o tipo de coisa que poderia estragar uma operação. Se ele se apresenta com nomes diferentes a polícia acha que são pessoas diferentes. Não liga os pontos. Ou pelo menos fica mais difícil ligar. Tudo bem que ele não fazia nada já fazia um bom tempo. Mas mesmo assim. Meu Deus, se fosse no Texas ele iria pra cadeira elétrica. Já tinha matado tanta gente que importava para pessoas importantes que nem um julgamento justo ele ia ter. Era capaz de ter matado algum parente do juiz. E por quê? Pra que? Pra sobreviver. A vida dessas pessoas em troca da dele. Era isso que ele pensava sempre. Sem isso ele estaria morto, e ele sabe disso. Ele mesmo ia ter feito o serviço. Em doses lentas, devagar, do jeito mais cruel. Agora não. Agora mesmo sem isso ele teria a Sabrina. Meu Deus, nem deve ser o nome dela. Ela mente tanto quanto eu. Ela mente melhor do que eu. Muito melhor do que eu. E ele só sabia tratar problemas de um jeito. Quer dizer, ele conseguia lidar com os problemas de mil maneiras, mas no fim era tudo com o mesmo fim. Ele acabou o cigarro. Colocou a camiseta e o tênis. Saiu sem falar nada e sem responder pra onde ia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-5947170336436353260?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/5947170336436353260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=5947170336436353260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5947170336436353260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5947170336436353260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/05/sabrina.html' title='Sabrina'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-2473020347755867920</id><published>2009-05-14T08:16:00.001-07:00</published><updated>2009-05-14T08:33:46.046-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Rodrigo</title><content type='html'>Ele acordou. Abriu os olhos, mas não se levantou. Os braços abertos ocupando toda a cama de casal. Acordar sozinho tem suas vantagens e suas desvantagens. Riu pensando nisso. Levantou-se da cama, colocou a calça jeans mais próxima, uma camiseta, um tênis e colocou a pistola na cintura, por baixo da camiseta. Olhou para o relógio e viu que ainda tinha duas horas até a hora de se encontrar com o alvo. Naquele mês seu nome era Rodrigo. No mês passado tinha sido Paulo. Estava pensando no nome do próximo mês logo antes de ir dormir. Sonhou com Matheus. E assim que se lembrou disso, pouco antes de sair de casa, se decidiu. Mês que vem é Matheus. Antigamente ele usava apelidos, assim não sentia que estava mentindo quando perguntavam o nome. O problema é que sempre tinha um babaca que perguntava “Mas qual seu nome mesmo?”. Porra, foda-se o nome, o que importa é você ter como me chamar. Mas ficava suspeito ele não responder, então ele começou a usar nomes mesmo. Aí se ele resolvia usar um apelido no meio do trabalho, ele pelo menos não vacilava quando perguntavam o nome de “verdade”. Desceu de escada, já que estava no segundo andar. Saiu pela portaria e deu um aceno de cabeça pro recepcionista. Duas horas. O que fazer com essas duas horas? Na primeira vez ele vomitou por duas horas. O problema não é fazer, é pensar no que vai fazer. Depois que está feito, só adrenalina. Na verdade foi o que manteve ele no negócio. A primeira vez foi meio que uma dívida. O cara era um dono de boca que ele tava devendo, da época que ele era junkie, e ao invés de matá-lo pela dívida, o cara preferiu pedir pra ele matar um outro cara. Ele tinha uns 22 na época. Fez o serviço tão bem que o cara da boca começou a pagar ele por alguns outros serviços. Até que o cagão começou a ficar com medo de ele querer tomar a boca. Mandou matarem ele. Ele se safou. Tomou a boca e entregou de mão beijada pra outro cara. E pronto. Ele tinha acabado de conseguir toda a reputação que precisava. O resto é contato. Agora lá está ele parado na rua augusta, sua residência do mês, pensando no que vai fazer com as duas preciosas horas que tem. E um puteiro soou como uma boa opção. O único problema é que putas não gostam que você leve armas pro quarto delas. Sem contar os babacas da entrada, que ficam revistando. Deixou a arma no quarto e foi procurar alguma puta boa pra uma metida rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega ai amigo, quer meter hoje? Tem 30 meninas lá dentro, chega ai. 10 reais e eu te dou uma cerveja e uma capirinha. Qual cerveja? Skol. Ta certo. Mas não precisa mentir que eu sei que não tem 30 meninas lá dentro. Têm sim, é que tem algumas que tão no quarto, ai vai parecer que tem um pouco menos. &lt;br /&gt;Mentira.&lt;br /&gt;Ele entra sabendo que não vai tomar a caipirinha, porque caipirinha de puteiro é horrível. Aqui na Augusta pelo menos. Pega a cerveja com o barman com cara de poucos amigos. &lt;br /&gt;Conheci um barman de puteiro uma vez que namorava uma das meninas. Ele falava que entendia e tudo mais, que ele tinha conhecido ela assim, que ele não tinha grana também e não podia fazer nada. Tinha que aceitar. Ficava com cara de bosta toda noite, o que pra mim só prova que ele, na verdade, se importava. Aí eu paguei pra comer a namorada dele uma vez, só pra ver se eu tava certo. É, eu tava. Ele veio irado pra cima de mim falando que eu era amigo dele, que eu não tinha direito de fazer isso. Ao que eu respondi: “Mas eu paguei !”. Depois disso ele nunca mais falou comigo. Mas eu também não me esforcei. Isso foi pouco antes de eu vir pra São Paulo, eu só vi ele mais umas duas vezes antes de mudar pra cá.&lt;br /&gt;Senta-se num dos sofás do lugar e olha em volta pra ver se acha alguma coisa. Ele acha. Loira tingida, mas com uma bunda e uma barriga fenomenais. Coxas tão grossas que pareciam que podiam matar ele. Meio feia de rosto e bastante sem peito. Mas pra um relacionamento de meia hora tava ótimo.&lt;br /&gt;Quanto é o programa? Cem reais mais o quarto. Nem fudendo, muito caro. Pago cinqüenta mais o quarto. Setenta, gatinho, nem um centavo a menos. Fechado. &lt;br /&gt;Ele foi até o balcão com ela pra pagar pro “caixa”. Ela ficou passando a mão no pau dele por fora da calça. Ele olhou pra ela com um olhar meio indefinido. Algo entre “você não quer parar?” e “até que está gostoso”. Levou ela pro quarto. Tirou a pouca roupa dela antes de perguntar o nome. Sabrina. Ela tinha pegado uma camisinha com o cara que marcava o tempo dos quartos no corredor atrás da boate. Colocou pra ele, logo depois de ele ter tirado a roupa e deitado na cama. Ela subiu em cima dele e começou a cavalgar, gemendo da maneira menos falsa que conseguia. Ela não era muito boa nessa parte. Ele girou, a colocou por baixo e deu um beijo na boca dela. Bem, já que eu estou aqui eu posso muito bem fazer isso direito. Pelo menos ela não vai ficar gemendo desse jeito falso no meu ouvido. Ele se esforçou, de fato, mas não são bem assim que as coisas funcionam. Ele não foi o pior da noite, na verdade foi o melhor. Os outros foram dois moleques de 18 anos que gozaram rápido demais e um outro cara, de uns 40 anos, casado. Péssimo. Mas mesmo assim ele não a fez realmente sentir prazer. E saiu sabendo disso. &lt;br /&gt;Certo. Agora eu tenho uma hora e 15 minutos pra chegar aonde eu preciso, pegar a vagabundinha, levar ela pra um lugar deserto, e dar um tiro na nuca dela enquanto ela estiver abaixada cheirando a cocaína, a junkiezinha. Sem problema.&lt;br /&gt;Ele não sabia por que ia matar ela. Só mostraram quem ela era. Ele a seguiu por um tempo. Muitos seguranças. Sempre. Muitas câmeras. Sempre. Ele só viu um jeito de conseguir ficar com ela sozinha. Se ela mesmo fugisse dos seguranças. Ficou com ela uma noite, depois outra. Descobriu que ela gostava de cocaína. Ai foi só falar que ele tinha pros dois, pra eles cheirarem antes de ir pra balada. Ela nunca viu ele cheirando, exatamente porque ele parou, desde que ele começou a matar ele não precisa mais disso, mas ele falou que era porque ele não gostava de cheirar no meio da festa. A desculpa caiu como uma luva pro que ele queria. O nome dela era Vivian. Ele não sabe nem porque ela tem tantos seguranças. Nem se deu ao trabalho de perguntar. Tinham arranjado um carro pra ele. Placa fria e tudo mais. Tava tudo certo. Ele já sabia até aonde ia levá-la. &lt;br /&gt;Parou na esquina em que eles iam se encontrar. Ela chegou e entrou no carro. Vamos? Ela beijou a boca dele antes de perguntar. Aqueles lábios grossos e maravilhosos. Quase dá pena. Tem certeza que nenhum dos brutamontes te seguiu? Tenho, relaxa, você acha que eu ia dar essa bandeira? Se eles virem eles vão falar pra minha mãe. Ele ia ficar puto. Ta certo, vamos então. Ele dirige por uns dez minutos, prestando atenção pra ver se eles não estão sendo seguidos. Nada. Ótimo. Ele abre a janela e acende um cigarro. E começa a se dirigir para o lugar que ele tinha pensado. Ela nem repara a mudança de rumo. Está animada demais falando sobre alguma coisa que ele não está ouvindo e cantando as músicas que estão tocando. Ele ri e concorda com qualquer coisa de vez em quando. Eles chegam. O lugar é completamente isolado. Alguns quilômetros da rodovia. Pra evitar qualquer desconfiança, ele falou que eles estavam indo para um rave particular no sitio de um amigo dele. Ele tira os pacotes do bolso e entrega pra ela. Vamos lá pra fora, cheira no capô. Ela continua rindo e falando alguma coisa. Parece que ela fala até quando respira. Ela se abaixa. Ele tira a arma das costas. Ela vai pra segunda carreira. Ele pensa melhor e guarda a pistola. Ela olha para ele e ri. Ele ri de volta. Você num vai? Vou, só deixa eu pegar um negócio aqui. Abre a porta luvas e tira uma faca. Enquanto ela abaixa pela terceira vez. Ele faz isso rápido o suficiente pra conseguir enfiar a faca no meio da cabeça dela enquanto ela ainda estava abaixada. Ele limpa o cabo da faca. Limpa as impressões digitais que ele pode ter deixado no carro enquanto ela acaba de agonizar no chão. Ele vai queimar tudo, mas nunca é demais ser cuidadoso. Joga ela dentro do porta mala, logo depois de tirar o galão de gasolina. Ele ensopa ela e o carro inteiro. Mas principalmente ela. Acende um fósforo e joga de longe. Ele vai a pé até a estrada de asfalto e espera a carona. O cara chega. Ele entra no carro. E tira o tênis 3 números maior que ele estava usando. Nunca é demais ser cuidadoso. Eles levaram o tênis que ele pediu. Ele fala pra eles se livarem daquele tênis, só por precaução, mas que estava tudo bem. Eles riem, agradecem. Pagam, todos pagam. E largam ele no hotel. Ele olha a fachada do hotel, olha pro lado. Pensa em ir procurar a Sabrina. Mas desiste. Já era muito tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-2473020347755867920?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/2473020347755867920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=2473020347755867920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2473020347755867920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2473020347755867920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/05/rodrigo_14.html' title='Rodrigo'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1783501466903876468</id><published>2009-05-05T09:48:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T09:51:49.023-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Quincas</title><content type='html'>- Oi&lt;br /&gt;- Oi, tudo certo?&lt;br /&gt;- Tudo, e com você?&lt;br /&gt;- Tudo certo.&lt;br /&gt;- E ai, aonde a gente vai?&lt;br /&gt;- Num sei ainda. Mas vamos rodando mesmo assim.&lt;br /&gt;- Certo, você que sabe. Mas acho que isso é desperdiçar gasolina.&lt;br /&gt;- Não vai falar das reservas mundiais de petróleo acabando e do efeito estufa também?&lt;br /&gt;- Não ia, mas já que você comentou, é verdade.&lt;br /&gt;- E além de pouco me importar, meu carro é a álcool.&lt;br /&gt;- Tudo bem, o direito de pouco se importar é todo o seu, mas a sua indiferença não diminui os danos que você está causando ao seu bolso e a natureza e também não justifica essa velocidade toda. A gente nem sabe pra onde ta indo. Desacelera ai, vai.&lt;br /&gt;- And we are gonna ride fast going nowhere...&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;- Uma música. Trecho de uma música que eu gosto e que me lembra bastante a cidade de onde eu vim.&lt;br /&gt;- Você não é daqui?&lt;br /&gt;- Não. Caramba, é a quarta vez que a gente sai e você não sabia disso?&lt;br /&gt;- Você não tem sotaque e parece conhecer bem as ruas da cidade. Assumi que você era daqui mesmo.&lt;br /&gt;- É que eu já moro aqui faz um tempinho. E o sotaque eu nunca tive mesmo, porque eu mudei muito.&lt;br /&gt;- E quando você se refere a cidade de onde você veio, é a cidade que você adotou como lar?&lt;br /&gt;- Mais ou menos, é onde eu tive minha primeira namorada, onde eu perdi minha virgindade, onde eu dirigi um carro pela primeira vez, onde eu ganhei a maior parte dos meus vícios e das minhas manias.&lt;br /&gt;- Como, por exemplo, dirigir rápido desse jeito.&lt;br /&gt;- Não, essa mania eu peguei aqui mesmo.&lt;br /&gt;- Com todo o trânsito de São Paulo você ainda pegou mania de dirigir rápido. Eu acho que isso é mais uma manifestação de uma necessidade sua do que uma influência do meio.&lt;br /&gt;- A gente tinha concordado que você não ia me analisar. Se eu quisesse um psicólogo eu pagaria por um, não namoraria uma.&lt;br /&gt;- A gente não ta namorando, benzinho.&lt;br /&gt;- Modo de falar. Você preferia que falasse que eu não pegaria uma ou invés de namoraria. &lt;br /&gt;- Existem outros termos, sabia?&lt;br /&gt;- Eu sei, mas nenhum se encaixava tão bem.&lt;br /&gt;- Você não está escrevendo um título para um anúncio, não precisa se preocupar tanto assim com isso.&lt;br /&gt;- Você fica analisando as pessoas e eu não posso colocar um ritmo decente nas minhas frases? &lt;br /&gt;- Pára aqui.&lt;br /&gt;- Aqui?&lt;br /&gt;- É, a gente passou por um restaurante que parece bom.&lt;br /&gt;- Eu dou a volta.&lt;br /&gt;- Que dia você vai viajar?&lt;br /&gt;- Depois de amanhã.&lt;br /&gt;- Volta quando?&lt;br /&gt;- Já ta ficando com saudade, é?&lt;br /&gt;- Engraçadinho. Não, é só curiosidade mesmo.&lt;br /&gt;- Admite que você ta cada vez mais apaixonada por mim.&lt;br /&gt;- Você se acha, né?&lt;br /&gt;- Na verdade é só um mecanismo de defesa.&lt;br /&gt;- Mecanismo de defesa? Agora virou psicólogo também? Mecanismo de defesa do que?&lt;br /&gt;- Timidez. Tem gente que faz piada, eu finjo que sou fodão.&lt;br /&gt;- Você não é tímido.&lt;br /&gt;- Claro que sou. Sempre fui. Eu era daqueles nerds que passava o dia inteiro ouvindo metal e qualquer outra coisa que quase ninguém mais que eu conhecia ouvia. E que ficava parado nos cantos na festa com mais um amigo nerd, festas as quais eu só era convidado por educação, reclamando da música e não pegando ninguém.&lt;br /&gt;- Não pegando ninguém? Olha só, que inesperado.&lt;br /&gt;- Odiei o tom de ironia na frase.&lt;br /&gt;- Vai, você realmente não tem a mínima cara de ter sido o pegador da oitava série. Agora para de reclamar e estaciona o carro.&lt;br /&gt;- Relaxa, vou deixar com o manobrista mesmo. E como assim eu não tenho cara de ter sido o pegador da oitava série? Qual o problema de eu ter sido o pegador da oitava série?&lt;br /&gt;- Geralmente os pegadores da oitava série não tiveram Alexandre Dumas como parte fundamental da formação, como você mesmo já disse.&lt;br /&gt;- Eu te falei isso?&lt;br /&gt;- Falou, não lembra?&lt;br /&gt;- Não, não lembro.&lt;br /&gt;- É mentira?&lt;br /&gt;- Não, não é. Mas eu não me lembro de ter te falado isso, e nem acho que eu deveria ter falado. Oi. Mesa pra dois.&lt;br /&gt;- Claro que deveria ter falado, eu não teria ficado com você se você não tivesse falado. Eu ia achar que você era mais um babaca que era pegador na oitava série.&lt;br /&gt;- E qual o problema, portanto, de eu ser tímido.&lt;br /&gt;- Nenhum, mas simplesmente parece que você já superou o trauma e, no entanto, fica usando ele como desculpa pra poder se achar fodão.&lt;br /&gt;- Certo, e você? Seus peitos ainda não tinham crescido o suficiente na oitava série?&lt;br /&gt;- Não, nada disso. Eu sempre fui gostosa e popular.&lt;br /&gt;- Certo então a menina gostosa da oitava série veio a conhecer e gostar de jazz e literatura por quê?&lt;br /&gt; - Porque meu pai gostava de jazz e literatura e eu claramente sofri de um complexo de Édipo mal resolvido até eu começar a terapia. E então, só depois da terapia, eu decidi virar psicóloga.&lt;br /&gt;- Nossa. Você é psicologicamente mais fodida do que eu.&lt;br /&gt;- Finalmente encontrou um par á altura?&lt;br /&gt;- Eu acho que sim. Quer escolher o vinho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1783501466903876468?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1783501466903876468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1783501466903876468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1783501466903876468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1783501466903876468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/05/quincas.html' title='Quincas'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-7367675868513344652</id><published>2009-04-21T16:32:00.000-07:00</published><updated>2010-03-07T19:01:37.506-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Patricia</title><content type='html'>Restavam apenas cinco pessoas na festa. Horas atrás, havia sido um evento que muitos descreveriam como memorável. Agora, era apenas um punhado de copos vazios e mais alguns com um resto da bebida, agora escassa, que suavizara as preocupações dos convidados daquela noite.&lt;br /&gt;Os cinco se sentaram em volta de uma única mesa. Olharam-se sem saber o que dizer. Não eram íntimos entre si. Conheciam a anfitriã, mas haviam apenas se esbarrado nos lugares comuns que frequentavam. Somente se encontravam na mesma mesa uma vez por ano, e por poucos minutos.&lt;br /&gt;A anfitriã era uma mulher com um gosto impecável. Culta e reservada, descrevia a si mesmo como uma mulher de vícios saudáveis. De fato, seu maior vício é a saúde em si. Não a dela, mas a de seus amantes. Pelo menos aparentemente saudáveis. Músculos bem trabalhados, mas não exagerados. Pele ainda firme nos ossos. No mínimo 20 anos mais novos que ela. Afinal, era sua filosofia que a velhice era uma doença. Uma doença que deveria ser evitada a qualquer custo. Então, a cada ano que passava, mais ela precisava sentir-se nova. Mais ela precisava fugir de tudo que parecesse um sinal de envelhecimento. Posses, marido, filhos. Até cargos elevados em companhias. Vivia uma vida de constante extravagância, procurando sempre evitar as preocupações com a vida. Começava negócios inovadores, somente para vende-los quando eles começavam a dar certo. Felizmente, sua reputação de mulher de negócios genial não pode sofreu com sua ânsia, e o dinheiro vinha fácil e suas empreitadas a rendiam cada vez mais a cada venda que ela fazia.&lt;br /&gt;Naquela noite, dos quatro que restavam, fora ela, três viviam de maneira bastante parecida com o estilo de vida da anfitriã. Eram amigos antigos, mas o tempo não havia envelhecido a amizade como a um bom vinho, ou um whisky em uma barril de carvalho. O tempo havia jogado eles em direções opostas e, não fosse o esforço da anfitriã, eles nunca mais se veriam. Anualmente, ela fazia uma festa de aniversário melhor que a do ano anterior. Gostava de comemorar sua vitória sobre o tempo. E chamava todos os seus conhecidos. A cada ano a festa era maior, e a todo ano sobravam sempre os mesmos quatro na mesa final. Esse ano específico, um novo sobrevivente se juntava a mesa. Era jovem e nossa anfitriã havia se apaixonado pelo mistério atrás de seus olhos.&lt;br /&gt;Então, deixem-me apresentar meu novo amigo. Meus queridos, esse é o Rodrigo. Rodrigo, esta é a Marta, aquele é o Zacarias, e por fim, o Ulisses.&lt;br /&gt;Todos na mesa fizeram acenos de cabeça. Xavier terminou seu copo de whisky e se levantou.&lt;br /&gt;Mais um ano, mais uma vez deixo vocês a sua sorte. Até ano que vem. Patrícia, sempre um prazer.&lt;br /&gt;E Zacarias pouco depois seguiu o exemplo de Ulisses. Ignorante ao fato de que o seu maior motivo para abandonar a festa estava exatamente em sua frente. Marta, por fim, levantou-se. Despediu-se de Rodrigo, e pediu para Patricia acompanha-la até a porta. No caminho, quando se sentiu segura dos ouvidos de Rodrigo, aconselhou a amiga a tomar cuidado. Não desaprovava a atitude dela em relação aos seus acompanhantes, mas queria ter certeza de que ela não se envolveria emocionalmente.&lt;br /&gt;Tarde demais, amiga. Eu já amo ele. E eu sei que ele vai me magoar, mas eu vou aproveitar tudo que ele puder me oferecer até lá. Chorar quando ele for embora. E depois achar outro. Mas não me fale para não amar, porque amar é tudo que eu tenho.&lt;br /&gt;Apesar de Marta ter achado todo o discurso sentimental demais, faltava a vontade de discutir naquele horário. Ela que fizesse o que preferisse. Patricia voltou até a mesa, puxou Rodrigo pela mão e o levou até o quarto. Era hora de mergulhar na sua fonte de juventude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-7367675868513344652?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/7367675868513344652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=7367675868513344652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/7367675868513344652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/7367675868513344652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/04/patricia.html' title='Patricia'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1471870634549412394</id><published>2009-03-04T18:57:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T19:00:23.509-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><title type='text'>Luís</title><content type='html'>Comecemos. Temos um homem. Alto, mas nem tanto. Magro, mas com uma leve barriga. Gosto de acreditar que todos tem uma leve barriga, tira de mim o fardo da perfeição. Cabelos negros. Tem pintas no rosto, mas nada muito alarmante, apesar de digno de nota. Tende a ser vestir com a penúltima moda. Não se interessa tanto a ponto de aceitar tudo que se faz, mas o suficiente pra mudar quando todos mudam. O que sempre acontece um pouco tarde, mas é o que a maioria da população faz mesmo. Ele trabalha. Acho que importa aonde, mas eu não sei. Sei que tem curso superior, e que não é engenheiro, nem economista, nem publicitário, nem arquiteto. E, por deus, advogado não. Não seria bom se ele fosse psicólogo ou médico. Professor. Química. Professor de química em cursinhos pré-vestibulares. Fez um curso de farmácia mal feito e depois tirou licenciatura em química. É novo. Algo em torno de 25 anos. Chama-se Luís. Nunca teve apelidos, apesar de, ou exatamente por, nada ter contra eles. Cresceu e vive em São Paulo. Pronto. O Luís agora tem características que te lembrariam de alguém que você conhece, leitor. Talvez com uma coisa ou outra de diferente, mas ele é palpável. Ainda não é chegada a hora de fazer desse Luís o “meu Luís”. Soou gay, eu sei, mas vocês entenderam. O Luís encontra-se parado na esquina da avenida paulista com uma rua da qual pouca gente sabe o nome. Nesse caso, inclusive, eu vou com a maioria. Mas, para maiores identificações, é a rua que faz uma das esquinas com o MASP, a que vai no sentido centro, continuação da Casa Branca. O que me lembra que uma das minhas primeiras impressões dos paulistas que passaram a vida inteira em São Paulo é que eles tem fixação por discutir o lugar e o nome das ruas. Mas voltando ao nosso professor, que inclusive não gosta de ser chamado de professor, prefere ser chamado de Luís, apesar de não ter uma explicação para isso, e nem se importar em ter. Ele está parado nessa esquina especifica porque acabou de sair do MASP e estava indo para o metrô quando resolveu fumar um cigarro, apesar de saber das suas 4.700 substancias tóxicas e inclusive saber a fórmula de algumas de cor, e apreciar um velho prédio que compartilha a rua cujo nome eu não sei com o MASP, apesar de, assim como o museu, ter sua entrada voltada para a Paulista. Não achem, no entanto, que o Luís é dado a divagações. Não, é um homem que gosta de se considerar prático, apesar de ser professor. Então, cá estamos com o Luís, devidamente apresentado, parado em algum lugar e com um motivo para estar parado lá. Nesse momento do tempo, ao qual demoramos relativamente pouco para chegar, uma mulher para ao seu lado, não por sua extraordinária beleza, já que ele não a possui, e muito menos pelo seu carisma magnetizante, que ele também não possui, apesar de ser “amado” por seus alunos. Ela pára ao seu lado simplesmente para esperar o sinal, vermelho para ela, se tornar verde. E ela também não faz isso por nenhum forte senso cívico de obedecer às leis, mas por seu caminho estar bloqueado por várias pessoas que esperam os carros passarem e, especialmente hoje, não terem nenhum ímpeto suicida. O nome dessa mulher é Luiza e, se o Luís soubesse, talvez ele achasse interessante o fato de que essa mulher linda que parou ao seu lado ter a variação feminina de seu nome como graça. Provavelmente ele pensaria em alguma piada, mas desistiria quando seu bom senso o alertasse de que qualquer piada que ele pensasse seria ridícula a partir do segundo que ela acabasse de sair da boca dele. O sinal acende sua luz verde e a Luiza atravessa a antes praticamente intransponível rua. E o senhor Luís se surpreende ao vê-la entrar no prédio velho que ele estava admirando segundos antes de ser interrompido por uma vista ligeiramente mais interessante. Para ele, pelo menos. Luís, então, num momento de ousadia, vai até o velho prédio com intuito de conversar com a Luiza. Essa mulher tão linda da qual ele não sabe o nome e; estragando uma de suas aspirações de final, leitor, nunca saberá. Antes soubesse, seu destino poderia vir a ser um tanto quanto menos trágico. Ele chega a porta de vidro do prédio velho e não a vê. Perfeitamente possível se ela tiver entrado em algumas das portas mais próximas. Ele demorou alguns segundos para tomar a atitude e estava um pouco atrasado em relação à distância. E é nessa hora que ele pensa que seria melhor ele ter falado com ela ali no sinal mesmo. Mas, tomado por uma obsessão incomum, ele tenta abrir a porta de vidro do prédio, aparentemente desabitado. Ao encontrá-la trancada ele dá uma olhada em volta e percebe que existe um pequeno portão. Pequeno mesmo, algo em torno de um metro de altura, talvez menos, nada que uma pequena levantada de pernas não consiga transpor. E logo depois de uma melhor olhada, vendo uma escada e algum entulho no fim dela, ele resolve dar a leve levantada de pernas. Ele desce a escada e encontra uma pequena porta ligeiramente enferrujada e entreaberta. Bem, ninguém em São Paulo deixaria uma porta entreaberta protegida apenas por um portão de menos de um metro de altura e um lance de escadas se não quisesse que as pessoas entrassem. Pensa na sua estupidez de ter esquecido de ver se o portão era facilmente aberto. Afinal, isso indicaria que o ambiente, provavelmente comercial, estaria aberto a qualquer um. E Luís, munido agora de motivos para achar que não estava fazendo nenhum mal, era um homem bom afinal, resolve entrar pela porta. Encontra uma sala vazia, com a luz acesa e sem janelas. E uma outra porta. Que dava para um lance de escada. Que dava para uma sala com duas portas, que davam para outra sala, pequena com uma porta só, e outra sala sem portas. Subindo a escada e imaginando que já deveria ter chegado na sala com a porta de vidro, Luís começa a se arrepender de ter entrado. Não por medo, mas ele começa a sentir culpa, apesar de não dever sentir culpa alguma, mas ele não sabia, então é desculpável. No entanto, apesar da culpa ele continua indo por escadas e salas vazias ou com entulho no qual ele não mexe, e corredores com portas para apartamentos estranhamente familiares e com arquiteturas variadas. Depois de uns 50 minutos no prédio – a Luiza realmente valia a pena – ele resolve ir embora, mas as portas não davam exatamente aonde ele achava que elas iam dar. E tudo era meio parecido. Ele andou e andou. Era Sábado.&lt;br /&gt; Na segunda feira seus alunos sentiram sua falta. E no mês seguinte desejaram que ele estivesse em um lugar melhor. Mas isso não dependia mesmo deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Texto antigo, andei meio sem "pegada". Não é da sequência dos "nomes", mas foi importante pra idéia inicial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1471870634549412394?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1471870634549412394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1471870634549412394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1471870634549412394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1471870634549412394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/03/luis.html' title='Luís'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4695802595213521322</id><published>2009-02-15T20:39:00.001-08:00</published><updated>2009-02-15T20:39:33.686-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Oswaldo</title><content type='html'>Ele andou pelo quarto olhando para as paredes. Abriu a porta do armário, e depois a gaveta na qual ele quase nunca mexia. Puxou um álbum de fotografias. Antigas, naturalmente. Afinal, não são antigos todos os álbuns? Pessoas que sumiram da vida dele sem deixar vestígios. Por distância, por rancor, por morte. O mais triste de todos os motivos, ele achava, era o da insignificância. Porque essas pessoas estavam lá? Era bom o sentimento de que elas se importavam, ao menos na época das fotografias, no entanto. O sentimento realmente bom era ver pessoas que haviam perdurado até aquela data. Que por uma série de motivos haviam se mantido bravamente em sua vida.&lt;br /&gt; Mas ele não se focava nessas pessoas enquanto passava o álbum, apesar de serem elas o motivo pelo qual ele ainda aguentava vê-lo. Outras pessoas que haviam sumido e seus motivos específicos o atraiam mais naquela tarde ensolarada, que deveria estar nublada fosse o mundo um filme. Uma delas era sua primeira namorada. Motivo de tantas brigas e de tantas mudanças em sua vida. Brigas não apenas conjugais que se espalharam por outras áreas de sua vida. E que vieram a gerar o término daquela primeira tentativa de amor. Não que de fato, sob todos os julgamentos pelas pessoas de fora, aquilo não passasse de um mero treino. E não que essas pessoas todas não estivessem perfeitamente certas quanto ao destino do relacionamento. Mas pra ele, na época, aquilo era real. Como os melhores treinos deveriam ser. E aquilo realmente havia feito ele crescer de diversas maneiras. Havia ensinado a ele como aguentar a decepção e a rejeição, mesmo que a duras penas.&lt;br /&gt; A outra era seu amigo, Emílio. A maneira como as coisas haviam acontecido o incomodava. E ele pretendia resolver tudo. Descobrir exatamente como tudo ocorrera. Apesar do simples pensamento sobre o assunto o angustiar de uma maneira que ele classificaria como “indescritível”. &lt;br /&gt; Foda-se. Ele se levantou, jogou o álbum em cima da mesa e saiu de casa. Tinha um encontro ao qual não podia mais faltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4695802595213521322?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4695802595213521322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4695802595213521322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4695802595213521322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4695802595213521322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/02/oswaldo.html' title='Oswaldo'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6439960590020023923</id><published>2009-02-10T11:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T11:01:33.634-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia fraca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><title type='text'>Poema da classe média</title><content type='html'>Eu não sou massa &lt;br /&gt;não sou elite &lt;br /&gt;não sou nada &lt;br /&gt;sou um elemento de uma classe média depravada &lt;br /&gt;perdida em meio a toda papelada &lt;br /&gt;imposto de renda, financiamento da casa &lt;br /&gt;carrego na pasta a enxada &lt;br /&gt;site de carro e mulher pelada &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mediocridade me é triste &lt;br /&gt;mas, como todas, ela persiste &lt;br /&gt;tento rimar versos porque me ensinaram assim na terceira série &lt;br /&gt;batatinha quando nasce &lt;br /&gt;se esparrama pelo chão &lt;br /&gt;a gostosinha da classe &lt;br /&gt;tem uns puta duns peitão &lt;br /&gt;ABAB - Redondilha maior &lt;br /&gt;E eu vou vivendo "sem querer" &lt;br /&gt;Abaixando a cabeça e pedindo "perdão" &lt;br /&gt;"mas teve feijoada ontem, seu patrão" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou chefe &lt;br /&gt;não sou peão &lt;br /&gt;não sou nada &lt;br /&gt;sou um elemento de uma cadeia furada &lt;br /&gt;com elos fudidos &lt;br /&gt;na correia dentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não passar a semana em branco....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6439960590020023923?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6439960590020023923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6439960590020023923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6439960590020023923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6439960590020023923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/02/poema-da-classe-media.html' title='Poema da classe média'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-5153750702128258566</id><published>2009-02-02T07:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T07:46:10.690-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Natália</title><content type='html'>Como assim você tem medo de fantasma?&lt;br /&gt;Qual o problema? Muita gente tem.&lt;br /&gt;Mas você é ateu! Você não acredita em deus! Como você pode não acreditar em deus e ter medo de fantasma?&lt;br /&gt;Se você for pensar bem, não é tão absurdo assim.&lt;br /&gt;Como não?&lt;br /&gt;Você só faz essa ligação porque você é uma católica perdendo a fé.&lt;br /&gt;Não fala da minha fé.&lt;br /&gt;Pensa bem, você não deveria acreditar em fantasma...&lt;br /&gt;Eu não acredito.&lt;br /&gt;Eu sei, é esse o ponto...&lt;br /&gt;Que ponto?&lt;br /&gt;Me deixa falar?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Se você acreditasse em deus como você acreditava antes você não ia comparar ele com uma coisa que você não acredita.&lt;br /&gt;Pronto? Vai calar a boca?&lt;br /&gt;Existem métodos mais eficientes de calar minha boca do que pedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela beijou ele. As luzes apagadas do quarto mantiveram as lágrimas dela invisíveis. Mas o gosto salgado ainda chegou a boca dele. E ele soube. Deus ficava um pouco mais longe a cada dia que passava desde que o Emílio morrera. Eles transaram enquanto ele pensava  que já era hora de dar um fora nela. Apesar da dor ainda estar lá, o desespero de descobrir quem tinha matado o noivo já tinha passado. Já eram dois favores que ele ia poder cobrar do “Rodrigo”. Tirar a Natália do caminho e salvar a vida dele. Ele pensou também no que ele iria pedir. E deu uma leve passada pela questão ética da coisa. Mas ele tinha aprendido a não julgar as pessoas, e decidiu que era hora de não se julgar. Ele também merecia isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi embora e ela ficou deitada na cama. Levantou algumas horas depois e olhou para o céu. Teria visto estrelas se o céu de São Paulo permitisse. E pensou que talvez ela não visse mais deus pelo mesmo motivo. O céu daquela cidade não permitia. Aquilo sufocava ela. Algumas pessoas nasceram pra viver naquela cidade. Ela não. Ela queria uma casinha no campo. Mas tinha ficado por causa do Emílio. Ele adorava o asfalto. Adorava a velocidade com a qual o mundo girava. E ela se sentia mal por achar que ele não conseguia mais sentir o mundo girar. E ela sentia o mundo girar. E ela queria que aquilo parasse. E se lembrava de um poema. Quando Ismália enlouqueceu pôs se na torre a cantar. Queria subir ao céu. Queria descer ao mar. Ela queria descer ao mar. Pegou o elevador. E depois o carro. E depois a estrada. E só parou quando ela chegou ao mar. Deitou-se na areia, ainda a tempo de ver as estrelas. De tentar ouvi-las. Tantos poemas que ela não tinha realmente entendido. Tantas planilhas que ela queria já ter esquecido. E o barulho do mar fazia o mundo parar de rodar. E o sol nasceu e secou as lágrimas do rosto dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e foi para o carro. Se registrou em uma pousada e tomou um banho. Hoje ela não iria trabalhar. Alias, ela nunca mais iria trabalhar. Não com planilhas. Não com o mundo que girava tão rápido que tinha jogado seu noivo pela tangente. Pra um lugar que ela não mais acreditava que existia. E no qual ela nunca mais poderia entrar. Ela foi em uma imobiliária e comprou um apartamento. E foi no banco e transferiu a sua conta. E passou o dia seguinte no telefone. Demissão, cancelamento de assinaturas. Morrer para a uma cidade grande foi mais difícil do que ela imaginara. Ela nunca mais voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilo ligou diversas vezes para ela. O celular tocou incessantemente. Até que ele começou a dar caixa de mensagem. Ele passou lá. Queria confirmar se ela estava bem. O porteiro não sabia de nada. Ele passou em casa. Pegou a .22. Entrou no hotel da rua augusta e subiu direto para o quarto do “Rodrigo”. Bateu na porta. Nada. Nessa hora ele sorriu. Tirou a chave que ele tinha mandado fazer para aquela porta. Aprender a não julgar não significa não tomar precauções. Lembrou da música do Metallica. To secure peace is to prepare for war. Entrou e se sentou na cama, encostada na parede e fora da linha de visão de quem entrava pela porta do quarto. A porta se abriu. Ele se preparou. A arma estava apontada para a cabeça da pessoa que entrara antes de ela perceber que havia outra pessoa. Era uma mulher. Ele não imaginara que mais ninguém teria a chave do quarto. Não esperava que seu amigo fosse confiar assim em alguém. Ela olhava para ele como se pedisse para ele atirar. Mas não de uma maneira ousada. Humildemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é você?&lt;br /&gt;Sabrina.&lt;br /&gt;Então você é a Sabrina. Certo. Cadê o Rodrigo?&lt;br /&gt;Não sei. Eu vim encontrar ele. Achei que ele fosse tá aqui também.&lt;br /&gt;Ótimo. Tudo que eu precisava. &lt;br /&gt;Por que você quer matar ele?&lt;br /&gt;Porque ele não confiou em mim. E ele fez uma coisa que ele não devia ter feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilo andava pelo quarto, ainda apontando a arma. Uma caminhada nervosa. Não era ele ali. Da mesma maneira como não havia sido ele aquele dia. Ele não é um assassino. E ele repetia isso pra ele mesmo quando a porta se abriu novamente. A Sabrina estava na frente, mas ele tinha uma visão ótima. Ainda dava pra atirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilo.&lt;br /&gt;Rodrigo.&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;Cadê a Natália?&lt;br /&gt;Eu não fiz nada.&lt;br /&gt;Cadê a Natália?&lt;br /&gt;Idiota, eu não fiz nada.&lt;br /&gt;Caralho, Rodrigo, se você não falar agora eu atiro nela.&lt;br /&gt;Se você fizer isso, você morre antes do tambor dessa sua arminha de chumbo girar.&lt;br /&gt;É a única escolha. Você nunca se importou com a sua vida, não adianta eu ameaçar você.&lt;br /&gt;Olha, Camilo, eu ajudo você a procurar. E eu sempre acho quem eu procuro. Eu recebo bem pra isso. E você não é um assassino. Você não é um assassino. Você não precisa se tornar um assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo andou pra frente devagar. Tirou Sabrina de sua frente e foi andando cada vez perto de Camilo. Eles foram em um balé lento e tenso até que Rodrigo conseguiu encurrala-lo no canto do quarto. Lentamente esticou a mão e pegou a arma, enquanto lágrimas começavam a descer do rosto de Camilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achei que você fosse mais macho que isso.&lt;br /&gt;Eu também.&lt;br /&gt;Eu devia te matar.&lt;br /&gt;Eu sei. Mas você não vai.&lt;br /&gt;E porque isso?&lt;br /&gt;Porque você me deve dois favores.&lt;br /&gt;Eu só te devo um, se você acha que eu matei a Natália.&lt;br /&gt;Ainda sim.&lt;br /&gt;Ainda sim, agora eu não te devo mais nada.&lt;br /&gt;Depende. Eu to de dando o benefício da dúvida. Se eu achar ela, aí eu te devo uma. Senão, eu vou vir cobrar. De verdade.&lt;br /&gt;E eu vou estar esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilo saiu do quarto. Rodrigo olhou pra Sabrina. Esquecida pelos dois, ela sentara na cama e olhava pra frente como se estivesse vendo tv. Rodrigo fechou a porta e esperou a pergunta. Não demorou e ela veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que você faz?&lt;br /&gt;Eu sou matador. Assassino de aluguel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-5153750702128258566?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/5153750702128258566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=5153750702128258566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5153750702128258566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5153750702128258566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/02/natalia.html' title='Natália'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6243657935077576772</id><published>2009-01-25T00:45:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T00:46:47.686-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Marta</title><content type='html'>- Sabe, eu não sou tão mulherengo quanto você acha.&lt;br /&gt;- Claro, meu bem, eu sei disso. Eu e as mulheres que eu sei que você pega toda vez que sai. Tá me achando com cara de palhaça?&lt;br /&gt;- Não, e você também não me entendeu. O que eu quis dizer é que eu faço isso porque eu to solteiro. Se eu estivesse em um relacionamento sério eu ficaria só com uma.&lt;br /&gt;- Ô docinho, eu só não tenho um relacionamento sério com você porque eu não acredito nisso. O que nos deixa num círculo vicioso, não?&lt;br /&gt;- É só você confiar em mim um pouco e a gente sai disso. &lt;br /&gt;- Não, fofo, é só você parar com essas promessas que você não pode cumprir que a gente não precisa discutir mais isso.  &lt;br /&gt;Ela se levanta da cama redonda e coloca a calcinha enquanto ele olha pra ela com olhar mais inocente que ele consegue colocar na cara. Inútil. Ela o ignora e, mesmo se estivesse prestando atenção, não acredita em inocência. &lt;br /&gt;- Você não me leva a sério&lt;br /&gt;- Não, docinho, não levo. &lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;Cala a boca, Fábio. Eu não quero discutir com você, caralho. Tenho que ir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6243657935077576772?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6243657935077576772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6243657935077576772' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6243657935077576772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6243657935077576772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/01/marta.html' title='Marta'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4901427469320303170</id><published>2009-01-22T12:21:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T12:23:19.096-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Layla</title><content type='html'>-Quer saber? faz o que você quiser.&lt;br /&gt;-Não, não é isso.&lt;br /&gt;-Achei que fosse.&lt;br /&gt;-Eu não sei na verdade. Eu não sei de verdade o que eu quero.&lt;br /&gt;-Ai você complica um pouco as coisas. E eu já to de saco cheio. Não quero mais ouvir isso.&lt;br /&gt;-Quer saber a verdade? É só você que eu quero. Faz muito tempo que é só você que eu quero. Mas isso é exatamente o tipo de coisa que não se fala. E eu já tomei demais na cabeça por causa da minha pressa. Da minha necessidade absurda de definição. Da minha posição ridícula de... Foda-se&lt;br /&gt;-O que você quer dizer com isso?&lt;br /&gt;-Tudo que eu queria dizer com uma palavra que eu não quero nunca mais usar na minha vida, moça.&lt;br /&gt;-Eu cheguei atrasada demais pra ter sinceridade?&lt;br /&gt;-Não. Mas talvez você tenha chegado cedo demais para o resto da minha vida.&lt;br /&gt;-Quanto é cedo demais?&lt;br /&gt;-É exatamente isso que eu queria descobrir. E é exatamente por isso que o “talvez” foi usado. Eu não quero me preocupar com isso. Não mais. Não agora. Mas eu quero você. Por todo o tempo que eu quiser você. Tudo que eu quero ouvir é um “foda-se” sincero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4901427469320303170?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4901427469320303170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4901427469320303170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4901427469320303170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4901427469320303170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/01/layla.html' title='Layla'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-8183485049913263330</id><published>2009-01-10T13:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T12:26:11.369-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Karen</title><content type='html'>Ela andou pela sala com um pedaço de papel que estava na carteira dele. Ele não se importava que ela mexesse na carteira dele porque, afinal de contas, ela só fazia isso pra organizar mesmo. Coisa que ele não faria nunca se dependesse dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zacarias.&lt;br /&gt;Oi.&lt;br /&gt;Todos esses nomes? O que é?&lt;br /&gt;São só nomes, Karen.&lt;br /&gt;Você não tá escolhendo nome pra bebê?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Tá escrevendo um livro?&lt;br /&gt;Hein?&lt;br /&gt;Qual o problema?&lt;br /&gt;Eu também não vou plantar uma árvore.&lt;br /&gt;Não entendi.&lt;br /&gt;Relaxa.&lt;br /&gt;Só nome de homem...&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;Por que ?&lt;br /&gt;Porque ele ainda não aprendeu a mentir tão bem.&lt;br /&gt;Ele quem?&lt;br /&gt;Ele.&lt;br /&gt;É um caso?&lt;br /&gt;Engraçado essa ser sua terceira idéia, considerando que eu sou detetive.&lt;br /&gt;Alguem te pagou pra achar essa pessoa?&lt;br /&gt;Não, esse eu to fazendo por um amigo meu.&lt;br /&gt;Quem?&lt;br /&gt;Oswaldo. Ele me pediu por causa de um amigo dele.&lt;br /&gt;E você tá quieto por causa disso.&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;E isso na minha frente é um pedido pra fazer você esquecer disso.&lt;br /&gt;Pode ser. Não foi proposital, no entanto.&lt;br /&gt;Nunca é. É só uma reação que você tem.&lt;br /&gt;Você diz como se fosse frequente.&lt;br /&gt;É frequente.&lt;br /&gt;Mesmo?&lt;br /&gt;Mais do que você pensa. Eu sei o que fazer quando se trata de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu com o canto da boca. O mesmo sorriso bobo que ele só dá quando está com ela. Ela  colocou as pernas em volta dele e depois o braço. Fez isso pelas costas, pra que ele pudesse se acostumar com a presença física dela. Encostou a cabeça nas costas dele e ficou até sentir a respiração dele se aprofundar. Disso pra frente era fácil. Ele era fácil pra ela. E ela gostava disso. E pra ela, as pessoas tem que fazer apenas as coisas que elas gostam. Todo o resto é desperdício de vida. E pouca gente desperdiçou tão pouco a vida quanto ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-8183485049913263330?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/8183485049913263330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=8183485049913263330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8183485049913263330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8183485049913263330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/01/karen.html' title='Karen'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1815807384341458604</id><published>2009-01-05T19:40:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T19:45:12.492-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Joana</title><content type='html'>A luz piscava acelerada e corria pela parede e pelo teto, filtrada em cores e no ritmo da música alta que tocava. Entre os momentos de escuridão, eu vi ela dançando. Nada nunca havia se movido daquela maneira. Meu coração começou a bater tão rápido quanto a caixa do punk que tocava. Ramones.&lt;br /&gt;Depois de anos sem fazer isso era chegada a hora. Era como se eu fosse um adolescente que sai de noite pela primeira vez. Oi, tudo certo? Desculpe a intromissão, eu só queria perguntar seu nome. Afinal, eu nunca vi ninguém dançar assim tão bem. É Joana. Muito prazer, Joana. Eu sorri. Ela parecia uma mulher diferente de perto. Ainda bonita, mas sem todo o charme que a movimentação dava pra ela. O meu é Oswaldo, muito prazer. Eu saí dali pouco  depois. Estava me sentindo muito desconfortável. Falta de prática é uma merda. Fui buscar uma bebida e me preparar pra tentar de novo. Pensei na Alice pela primeira vez aquela noite. Acendi um cigarro e me encostei na parede do lugar. Tinha ido com um amigo, que agora estava conversando com uma mulher no canto, e eu não achei que era a hora de interromper ele. Percorri o lugar com meus olhos e encontrei olhos que mereciam ser olhados. Mas que como de costume não estavam voltados pra mim. Auto estima baixa desde o fim do namoro. Abaixei meus olhos e tentei fazer com que o pensamento saísse da minha cabeça. Quando eu levantei meus olhos novamente, os olhos dela estavam voltados para mim. Bastante perto, inclusive. Mé dá um cigarro? Claro, e me desculpe, mas qual o seu nome. Ela pegou o cigarro da minha mão e falou: Joana. Conversamos por dois minutos, eu ainda pensando na coincidência do nome repetido. O lugar era pequeno, não deveriam ter mais do que 200 pessoas lá. 100 Mulheres, considerando uma proporção meio a meio. E Joana não é um nome comum. Eu havia conhecido apenas uma em toda minha vida. E agora, duas numa noite. Foi então que ela me disse que apesar de ter adorado conversar comigo, ela tinha vindo pegar um cigarro pra ir embora fumando. Eu me despedi e fiquei feliz com a conversa. Meu amigo acabava de ser deixado sozinho pela amiga com a qual ele conversava antes. Não era feia, mas também não chamava a atenção. Comentei com o Emílio sobre a amiga e ele apontou outra mulher. Aquela ali vale a pena. Eu fui lá. Qual seu nome? Joana. Eu não acreditava. Achei que era um sinal. Conversei com ela. O resto da noite inteira. Ela me deu o e-mail. Eu fui embora acreditando que as coisas dariam certo. Sem pressa. Até porque haviam especificidades que não merecem ser comentadas que impediam qualquer outra atitude. Uma música na minha cabeça, que ela havia comentado que era a favorita dela do Smiths. Bigmouth Strikes Again. A única coisa que eu posso dizer é que naquele dia eu de fato descobri como Joana D'arc se sentiu quando foi traída, como diz a música citada. Me despedi de Emílio e nunca mais encontrei nenhuma Joana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1815807384341458604?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1815807384341458604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1815807384341458604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1815807384341458604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1815807384341458604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2009/01/joana.html' title='Joana'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-5508080047547699868</id><published>2008-12-26T22:36:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T22:37:19.864-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Capítulo XIII</title><content type='html'>Eu sinto que eu me perdi nos meus relatos. E, pior, eu sinto que cada vez mais eles não fazem sentido. Eu sinto falta da Isabel, eu realmente sinto. E já faz um ano e meio que a gente terminou. Eu comecei a escrever isso aqui a mais ou menos uns oito meses. Eu esperei até eu me sentir seguro, até eu ter certeza de que tudo estava acabado, mas agora eu já não sei mais. Eu encontrei ela semana retrasada, num bar. Fazia tempo que eu não a via. Foi forte. Foi foda. Ela tava com a Flávia e mais umas duas amigas que eu nunca conheci direito. Ela sorriu quando me viu. Ela veio me cumprimentar. E foi ela quem me beijou. Sim, sim amigos. E desde então eu não escrevo mais. Eu não sei se tudo isso faz sentido. Eu tenho evitado ligar para ela, mas admito que acabei ligando um dia, só pra conversar. Eu já não entendo qual era o problema, eu já não vejo motivo nenhum para ficar longe dela. E eu reli tudo que foi escrito até agora e eu não acho nenhum motivo concreto tirando uma mísera briga. Meu Deus, será que eu agi mal? Será que foi só um surto momentâneo, que me pareceu como sendo todo um padrão dentro do meu relacionamento. Será que eu falhei em segurar a onda por uma fase passageira. Eu acho que eu só consegui ficar tão longe por tanto tempo graças a crença de que eu estava certo, mas não seria só meu orgulho falando mais alto que a verdade. Eu já não sei mais. Eu não sei, eu não sei. No bar eu estava com o Chef e ele meio que me tirou de lá um tempo depois. O Tobias estava junto também. Mas e se ele não tivesse feito isso? Eu poderia ter ido pra casa com ela, a gente poderia ter transado e tudo poderia ter ficado bem, eu poderia... não sei, ter tido certeza de que eu estava errado. Eu vou ligar pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Último capítulo de Isabel. Sim, acaba assim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-5508080047547699868?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/5508080047547699868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=5508080047547699868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5508080047547699868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/5508080047547699868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/12/captulo-xiii.html' title='Capítulo XIII'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6202043455473142634</id><published>2008-12-21T15:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T15:47:14.580-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>A mulher perfeita e outras histórias: parte 1</title><content type='html'>Sábado, aproximadamente seis da tarde. A Isabel tava visitando a mãe, outra que sempre me odiou, e eu estava com o fim de semana livre para ver alguns filmes que eu tava adiando, ler algumas coisas e bater punheta. E esses eram meus planos, feitos com carinho e displicência, como todo bom plano de final de semana. Meus planos são então modificados com um telefonema do Tobias, insistindo que precisava encontrar todo mundo em algum bar, e que tinha pensado no Finnegans, mas que se eu tivesse alguma sugestão melhor a gente poderia repensar. Eu não tinha, então foi lá mesmo. Não que o Finnegans tenha nada de especial, eu só tava com preguiça de pensar. &lt;br /&gt;Eu fui o último a chegar e o Tomás já estava bêbado, nada de especial. Assim que eu cheguei o Tobias começou: “Ótimo, já que estão todos aqui, eu posso fazer o meu anúncio. Eu tenho pensado muito sobre a minha vida e percebi que eu não tenho nenhum objetivo claro que realmente vá me fazer feliz e que não seja ligado a dinheiro. Portanto, eu comecei a pensar nas minhas prioridades e decidi que eu preciso encontrar minha alma gêmea. De agora em diante, todos os meus esforços estarão voltados em encontrar a MULHER PERFEITA”. Nesse momento, eu, o Rafael e o Tomás nos olhamos com o mesmo olhar de estranheza enquanto o Tobias esperava algum comentário com uma cara de satisfação e o Pedro ria como se não houvesse amanhã. Logo o olhar do Tobias se refez para um olhar de estranheza, mas com um motivo diferente do nosso. Ele simplesmente não entendia nem a risada do Pedro, nem a nossa cara. O Tomás então tomou a dianteira. “Bixo, eu admito que eu to bêbado e que meu raciocínio pode estar meio prejudicado e tudo mais, mas essa deve ser das idéias mais estúpidas que eu já ouvi na minha vida. Tipo, sua alma gêmea, beleza, a gente vive pra amar e todo mundo tem uma alma gêmea no mundo, apesar das materialidades nos impedirem de ver isso às vezes, mas esse negócio de mulher perfeita é história pra boi dormir, bixo. Que porra é essa? Todo mundo é perfeito do jeito que é ou todo mundo tem algum defeito, escolhe a sua teoria, mas te garanto que uma das duas ta certa. E não que seja ruim ter encontrado vocês, muito pelo contrario, amo vocês, mas porra Tobias, era essa a urgência? Achei que você ia assumir que era gay, ou que você tava mudando pra Botsuana ou qualquer porra assim”. “Então vocês não acreditam que a mulher perfeita existe?” Ao que o Pedro, parando de rir, respondeu: “ Não, porra nem o Tómas acredita e ele é o que mais sonha daqui. Pra não falar que esse negócio de mulher perfeita, mesmo se existisse, seria relativo, o que a mulher perfeita pra mim pode não ser pra você. O Vitor gosta de morena e eu de loira, e pronto, já fodeu todo o conceito.” “Eu sei que é relativo, inclusive eu já comecei a fazer uma lista de tudo que ela precisa ter”. “Bixo, é uma mulher, não um carro”. O Rafael, que até então tinha mantido a cabeça baixa e a boca fechada, interrompeu o Pedro e falou “Se é isso que você quer mesmo, eu te ajudo”. “Pronto, dois loucos, e você Vitor, compactua com essa putaria?” “Eu namoro com a Isabel, num tenho moral pra falar nada”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6202043455473142634?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6202043455473142634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6202043455473142634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6202043455473142634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6202043455473142634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/12/mulher-perfeita-e-outras-histrias-parte.html' title='A mulher perfeita e outras histórias: parte 1'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-2711901508081778428</id><published>2008-12-13T19:13:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T19:15:56.765-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>De onde veio a expressão “piegas”?</title><content type='html'>Eu conheci a Isabel logo depois que eu, relutantemente, terminei a faculdade. Nunca trabalhei com economia, graças ao Rafael e ao fato de que, sendo ciência, a faculdade de economia não requer estagio para a graduação. O Rafael é formado em publicidade e propaganda e trabalhava numa agência de propagandas pequena, do pai dele. Depois que eu me formei eu fiquei meio sem rumo e o Rafa me chamou pra fazer um bico na agência. Eu não queria trabalhar com economia mesmo, então eu aceitei. No fundo ele só ofereceu por amizade, ele nem precisava de nada de mim e eu acabei ficando como um faz tudo com um belo diploma de economista de uma bela instituição de ensino. Nessa eu acabei acompanhando o Rafael na apresentação de uma campanha pra empresa na qual a Isabel trabalha. Foi a primeira vez que eu a vi. Numa sala de reunião, com um terninho e maquiagem séria no rosto. Imponente. Conforme a produção da campanha foi indo, com pequenas modificações aqui e ali, eu acabei conversando mais com ela. Pegando telefone e essas coisas, teoricamente pra agilizar essas coisinhas que faltavam. Olhando pra trás, agora, eu percebo como a coisa foi burocrática no começo. Na época parecia tão mais romântico. Todo o jogo parecia mais interessante, com as insinuações no ar e os telefonemas e se mostrar mais e menos interessado e todo esse tipo de coisa que acontece no começo. Tudo parecia mais interessante quando a gente conversava sobre isso na cama, antes de dormir. No fim das contas, a gente acabou saindo uma noite e nos beijamos na pista de dança de um lugar que tocava música eletrônica e qualquer outra coisa que estivesse na moda aquele mês. Eu lembro que eu estava falando no ouvido dela e nossas bochechas começaram a se acariciar meio que sozinhas. Como se fosse pra acontecer. E ela me abraçou e eu parei de falar. E a coisa ficou assim pelo que pareceu uma eternidade pra mim. Ela me abraçando e nossas bochechas se tocando e eventualmente eu abraçando ela. E enfim o beijo. Natural e espantoso. Eu não lembro a musica que estava tocando porque eu não estava ouvindo nada. Meio aquela coisa clássica do tempo parar e só existir os dois naquele momento e tudo mais. Piegas. Eu sei. E daí?&lt;br /&gt;Eu consegui, eventualmente, um emprego decente na agência. Redator. Ganho pouco e trabalho pra cacete. Mas pelo menos não preciso mais buscar café pra ninguém. Não é grande coisa, mas é melhor que ficar o dia inteiro preocupado com o preço de alguma commoditie ou ficar movendo curvas de oferta e demanda imaginárias, ou ainda passar minha vida virando um mestre nas movimentações das curvas IS-LM. Eu sei, para os economistas que me lêem, que as coisas não são só assim. Mas elas são assim também. E eu gosto de imaginar que elas são só assim. Fica parecendo que eu joguei cinco anos da minha vida fora, mas não que eu joguei cinco anos e mais um monte de dinheiro que eu podia ter ganhado a mais. Fica parecendo que eu troquei esses cinco anos (que poderiam ter sido quatro, admito) e essa grana por felicidade. Aí fica sendo uma troca justa. E eu fico achando que, pelo menos, eu to trabalhando com uma “versão beta” do que eu queria realmente fazer. Mas a verdade é que eu não conseguiria passar fome por um tempo pra ser escritor. Não tenho culhão. Talvez um dia, com algum empurrãozinho. Quem sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-2711901508081778428?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/2711901508081778428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=2711901508081778428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2711901508081778428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2711901508081778428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/12/de-onde-veio-expresso-piegas.html' title='De onde veio a expressão “piegas”?'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-9141178663584926976</id><published>2008-12-05T17:33:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T17:35:45.146-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Pausa para lamentação 2</title><content type='html'>Se você olhar direito vai ver que a fumaça do cigarro é azul, e não importa que todo mundo argumente que é cinza, a fumaça do meu cigarro sempre foi azul. E sempre encheu minha vida, mesmo antes de eu fumar. Porque a metáfora sempre esteve lá, quer eu quisesse ou não. E agora, olhando pra fumaça azul saindo do cigarro apoiado sobre a mesma mesa que a tela do meu computador, e para minha janela aberta, com o vento frio entrando e as luzes da maior cidade do meu país – a cidade que eu sempre idolatrei e eu sempre vou idolatrar – até parece que eu entendo minha vida e o que me trouxe aqui. Mas na verdade não. Essa resposta não está soprando no vento frio que entra pela minha janela. Vento esse que já foi personagem de tantos poemas ruins e sonhos que deixaram de ser sonhos apenas para cair no esquecimento, como o verde de uma maça madura, quem sabe podre. Eu lembro de abrir a janela do meu quarto em Goiânia, onde eu morava, e sentir o vento frio bater no meu rosto, e respirar fundo pra sentir o cheiro da noite, o sabor da noite. E eu sonhava em como estaria sendo minha noite se eu tivesse saído de casa – eu era moleque e minha mãe nem sempre deixava – cheia de surpresas e embriagues. Eu demorei um pouco ainda pra desmistificar a noite, e não sei ainda se valeu a pena. Mas é assim que as coisas são. Um dia tudo há de ser desmistificado. Até a morte. E eu realmente não sei se isso tudo vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-9141178663584926976?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/9141178663584926976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=9141178663584926976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/9141178663584926976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/9141178663584926976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/12/pausa-para-lamentao-2.html' title='Pausa para lamentação 2'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6154093533707551036</id><published>2008-11-30T11:00:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T11:12:15.609-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>A mulher perfeita e outras histórias: prefácio</title><content type='html'>Vejam bem, para não parecer que eu sou só mais um babaca depressivo, e eu não sou, eu queria contar algumas historias nesse meio tempo entre meus desabafos e minha libertação. Até porque eu acho que vai ficar meio chato essa coisa de ódio, dor, amor, vingança e desejos reprimidos o tempo todo. Até pra mim. Agora que eu sou um novo homem eu não quero ficar fuçando tanto assim só nas merdas do passado. Então eu vou contar algumas outras historias, que não são minhas, mas que merecem ser contadas. Eu tenho alguns amigos. Não muitos, alguns. Diversos conhecidos, mas só alguns amigos. Pouquíssimos da infância, alguns poucos da adolescência, e mais alguns da faculdade. Depois disso a coisa meio que virou trabalho-casa-trabalho e o coleguismo tomou conta. Grandes colegas, sem dúvida, mas colegas. Mas o que importa é que eu tenho uns quatro amigos que eu acho que eu poderia chamar de “meus melhores amigos”, por mais infantil que essa denominação soe. O Tomás, o Pedro, Tobias e Rafael. Eles se conheceram através de apresentações minhas e daí a amizade entre eles tomou vida própria, como tinha de ser. O Tomás eu conheci ainda moleque, estudamos juntos no colégio. Continuamos amigos durante a faculdade e mesmo depois que ele ficou, colocando do jeito dele, “cansado das amarras formais que a sociedade impõe a uma vida que não pertence a ela”. Ele continua sendo um bom sujeito, mas não é o tipo de pessoa pra quem você pede conselhos sobre trabalho e coisas assim. O Pedro fez faculdade comigo e com o Chef. E, ao contrario de nós dois, ele realmente seguiu com economia. Mercado financeiro e tudo mais. Eu particularmente nunca tive saco pra isso, mas ele tem. E muito. O Tobias e o Rafael são exceções no que diz respeito a eu ser o elo de tudo. Eles se conheciam antes, até porque são irmãos, mas eu conheci os dois separadamente, antes de saber que eles eram irmãos. O Rafael é o mais velho, e eu o conheci através de uma menina que eu namorei. Ele fazia faculdade com ela. O namoro durou pouco mas, como nós tínhamos outras afinidades fora o sexo, continuamos a nos encontrar e ele ia junto em algumas das vezes. Com o tempo, a menina começou a namorar outro cara e a situação ficou meio estranha e ela se afastou de mim. O Rafael não. Nessa altura eu já tinha conhecido o Tobias. Ele tocava na banda de um conhecido meu, e eu conheci ele num dos ensaios ao qual meu amigo me convidou. Admito que nós só ficamos realmente amigos depois que eu descobri num dos shows deles que o Rafael era irmão dele. Esse meu amigo que era da banda do Tobias tinha me chamado pra ir num show deles num buraco qualquer e, como eu não tinha nada melhor pra fazer mesmo, eu fui. Não sem antes chamar minha ex-namorada e o Tomás. Chegando lá eu, naturalmente, não fiquei nada surpreso ao ver o Rafael, já que ele e minha ex viviam grudados. Na verdade foi só depois que o show acabou que eu fui informado, dessa vez realmente surpreso, que o baterista da banda punk do meu amigo era irmão do amigo da minha ex-namorada. Complexo, não? Mas no fim ficamos bastante amigos, graças ao rock, à cerveja e algumas outras coincidências. Pararei por aqui, por enquanto. Depois eu falo mais dessas historias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Isabel, ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6154093533707551036?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6154093533707551036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6154093533707551036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6154093533707551036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6154093533707551036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/11/mulher-perfeita-e-outras-histrias.html' title='A mulher perfeita e outras histórias: prefácio'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4717947251571519157</id><published>2008-11-20T23:13:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T23:18:13.117-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Briga I</title><content type='html'>Eu não sei do que você precisa! E se soubesse, talvez não pudesse dar. Não é como se você fosse a coisa mais imprescindível na minha vida. Embora seja confortável. E minha preguiça me impede de mudar. Ouviu? Eu só estou com você por preguiça. Preguiça de sair e tentar arranjar alguma coisa melhor, e nem to falando que ia ser difícil. Meia hora num bar sozinha e procurando de verdade e eu já ia conseguir. Seu bosta. Aliás, quer saber? Sai daqui. Eu tava precisando mesmo tomar uma atitude. Eu vou arranjar um cara melhor, alguém que me dê valor. Alguém cujo sonho de vida não seja poder viver numa porra de um apartamentozinho só escrevendo porcaria e falando que é literatura. Seu bosta, seu merdinha. Incompetente. Vagabundo. Você me envergonha. Perdedor. Eu nem sei porque eu tenho sido fiel a você esse tempo todo. Você não merece. Eu devia ter te chifrado há muito tempo. O que me consola é que você não vai conseguir ninguém. O único orgasmo que você vai ter é quando ficar brincando com seu pinto no banheiro sozinho. Ou quando pagar uma vagabunda pra te chupar. O que você tem a dizer sobre isso, hein? O que você tem a dizer sobre isso?&lt;br /&gt;Eu sempre te dei valor.&lt;br /&gt;O caralho que deu! Eu que dei mais valor a você do que você merecia. Só de falar com você já é dar mais valor do que você merece. Lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4717947251571519157?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4717947251571519157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4717947251571519157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4717947251571519157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4717947251571519157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/11/briga-i.html' title='Briga I'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4353629292706285292</id><published>2008-11-15T08:28:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T08:30:43.023-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>As minhas primeiras vezes</title><content type='html'>Eu tinha algo em torno de cinco anos na época. Freqüentava uma escolinha cujo nome eu obviamente já não me recordo mais, no entanto têm três coisas que eu nunca me esqueço daquele lugar. E uma que eu costumo esquecer, extremamente inútil. Comecemos pela inútil. Logo depois do recreio, as professoras mandavam a gente fingir que dormia, eu digo fingir porque ninguém dormia realmente. No entanto, enquanto fingíamos que dormíamos e nos achávamos o supra-sumo da esperteza por não estarmos de fato dormindo, e sim, geralmente, jogando pedra-tesoura-papel ou alguma coisa do gênero, as professoras podiam ter o recreio delas. Obviamente eu não prestava atenção no que elas conversavam, mas deviam ser as suas preocupações e seus medos ou talvez fofocas e algumas piadas ruins. O que eu lembro era de um menino, cujo nome acho que eu nunca soube – na verdade não lembro nem do rosto – que realmente dormia. O molequinho apagava em cima da mesinha. Tudo bem que elas criavam todo um ambiente propicio ao sono – luzes apagadas e silêncio – mas mesmo assim ninguém mais dormia. Eu me pergunto o que aconteceu com aquela criança. Mas essa era a historinha inútil. As três coisas que eu lembro que importaram na minha vida foram as seguintes, em ordem de importância. &lt;br /&gt; Eu estava no recreio da escolinha e tinha um “brinquedo” no pátio que era tipo essas barras de fazer exercício que infestam os parques hoje em dia. Eu não sei qual era o propósito de colocar uma dessas numa escolinha de jardim de infância, é claro que apesar disso, nós achamos uma utilidade para a barra. Nós nos balançávamos nela. Um pulava e se segurava na barra enquanto o outro empurrava o primeiro rapaz para frente, criando um efeito de vai e vem. Até ai, apesar de ser uma péssima idéia, sem problemas. O que aconteceu foi que um dia choveu. Choveu enquanto estávamos em sala de aula desenvolvendo nossa coordenação motora com pinturas horríveis ou brinquedos idiotas, ou ainda nosso raciocínio lógico com algum jogo estúpido. Mas, por sorte nossa, parou de chover um pouco antes da hora do recreio. Saímos, então, ávidos para correr em volta de nossos rabos e desenvolver nossos físicos, como as crianças saudáveis e estúpidas que éramos devem fazer, mas sem machucar o coleguinha e sem ser extremamente estúpido. O problema é que para uma criança, que ainda não aprendeu muito sobre como o atrito pode ser diminuído com uma camada de água, se pendurar na barra como ela faz todo dia e balançar, mesmo a barra estando molhada, não é uma idéia muito estúpida. Então, lá fomos nós. Eu não lembro se eu fui o primeiro nem nada do gênero. Eu lembro que eu fui. Lembro também de ter conferido se as “tias” estavam olhando. Acho que elas até falaram alguma coisa do tipo “menino, num faz isso senão você vai se machucar”, mas nenhuma atitude mais enérgica que isso. E, para uma criança estúpida, essa frase só tem o efeito de deixá-lo com mais vontade de fazer estupidez. Então eu subi na barra. Um amigo meu começou a me balançar. Até ai, tudo bem. Ele era pequeno e eu tava conseguindo me segurar, mas a brincadeira não estava emocionante. Foi quando um outro menino, um tanto quanto maior que o primeiro, foi ajudar a me empurrar. Quando meu balançar estava tomando proporções emocionantes, eu me soltei. Aliás, eu escorreguei. E caí em cima do meu braço, cujo osso se rompeu prontamente. Daí pra frente eu não me lembro de muita coisa. Lembro de aprender direita e esquerda pela primeira vez. Esquerda era o lado que tinha o braço engessado. Depois eu esqueci de novo, até descobrir uma pinta no meu braço esquerdo. Funcionou bem durante o tempo necessário. Hoje eu já não uso mais, mas a pinta ainda está aqui. Só um detalhe: contando essa historia de como eu aprendi direita e esquerda com a pinta para a minha mãe, eu descobri que a pinta, que para mim era uma simples marca de nascença, era um pouco mais que isso. Era uma cicatriz. Ela tinha se descuidado quando eu era bebê e eu tinha enfiado meu braço num espinho de laranjeira ou coisa assim. De qualquer maneira, essa é a historia da primeira vez que eu quebrei um osso.  &lt;br /&gt; A outra primeira vez que eu queria contar toma lugar nessa mesma escola, não sei se antes ou depois. Na verdade, eu considero a primeira vez porque é a memória mais antiga que eu tenho de algo parecido. É que eu tinha uma professora, uma “tia”, que gostava muito de mim. No sentido fraternal da coisa. E ela sempre me pegava no colo dela, segurava meu rosto enquanto me falava “Deixa eu ver seu olho. Seu olho é lindo. Parece uma jabuticaba de tão escuro que ele é”. Foi a primeira vez que eu me rendi ao elogio de uma mulher. A primeira vez que eu tomei um elogio como sendo algo mais do que uma simples constatação de um fato ou de uma opinião. Eu ficava me perguntando se ela queria alguma coisa comigo, apesar de não ter noção do que isso poderia ser. Eu me lembro de me sentir estranho. Não era como se minha mãe estivesse me falando que meu olho parecia uma jabuticaba, ou minha avó, que de fato me fez esse elogio acredito que mais de uma vez. Era diferente. E foi a primeira vez que foi diferente.&lt;br /&gt; Minha terceira, e mais importante, primeira vez aconteceu pouco antes de um recreio. Sem ter o que fazer conosco até a hora marcada para elas nos deixarem correr em volta dos nossos próprios rabos ou quebrar nossos braços na barra, elas resolveram sondar a vida amorosa dos pequeninos seres humanos que elas acompanhavam todo dia, provavelmente para ter alguma coisa para fazer piada na nossa hora da soneca, logo após nosso recreio. Então elas começaram com uma brincadeira que era assim: Todos nós deveríamos, quando perguntados, falar quem eram nossos(as) respectivos(as) namorados(as) e elas iam contabilizando o negócio na lousa para ver quem tinha mais namorados(as). De qualquer maneira, eu tava garantido. Já fazia algum tempo que eu “namorava”, seja lá o que isso significava pra mim naquela época, uma mocinha cujo nome era Marcela. Muito bonitinha e aparentemente gostava mesmo de mim. Ou assim ela me dizia e, dado os escândalos que ela fazia pra ficar como meu par na quadrilha, eu acreditava. Então, lá estava eu, sempre um garoto do fundão o que quer fosse o fundão na época, esperando chegar a minha vez de declarar orgulhosamente “EU TENHO UMA NAMORADA, A MARCELA” quando eu ouço alguém roubar essas exatas mesmas palavras da minha boca. E não se engane, companheiro, só havia uma Marcela na sala e era a ela que o filho duma puta estava se referindo.  Foi quando meu mundo caiu aos pedaços. Como assim a Marcela tinha outro? Eu não podia aceitar aquilo, deveria estar havendo algum engano. Seria todo o conceito de monogamia uma fraude? Foi quando eu reparei que, no tempo em que eu estava absorto em meus pensamentos, outro pauzinho havia surgido ao lado do nome da minha pretensa namorada. E eu só conseguia pensar “Dois? Um tudo bem, pode ser um engano, mas dois? DOIS?”. Então, o golpe final foi dado. O terceiro pauzinho. Eu estava desesperado, descrente, com o meu coraçãozinho infantil partido em pedaços. Enfim, chega a vez da falsa se pronunciar e ela declara, em alto e bom som, que o namorado dela era o Vitor (sou eu, acredito que tenha esquecido de mencionar). Descarada. Agora ela queria fazer tudo ficar bem, não é? Mas as coisas não funcionavam assim comigo. Quando chegou a minha vez, apesar dos dolorosos (pra mim, naturalmente) sorrisinhos que ela ficava me mandando eu respondi à infeliz da professora que havia tido a idéia de tão cruel questionário: Eu não tenho namorada, e vi o sorrisinho se desfazer da boca de minha, naquele momento, ex-namorada. Pouco depois, o sino do recreio tocou e fomos liberados. Eu não sei porque eu demorei pra sair, ou pra levantar. Sei que quando eu levantei e olhei pra porta da sala, que tinha suas luzes apagadas, eu vi o vulto da Marcela esperando. A luz entrando e deixando ela ligeiramente assustadora, imponente, santificada. Eu andei ate a porta e ela me parou. Perguntou : “Porque você disse que não tinha namorada” e eu, cheio de razão, respondi que tinha sido porque três meninos tinham falado que eram namorados dela. Ao que ela responde “mas eles não são”. O que pra época até fazia sentido, afinal, você podia até nunca ter falado com a menina, mas isso não significava que você não podia falar que era sua namorada. Naturalmente. E, com isso em mente eu fiz o que talvez eu nunca deveria ter feito. Ela me perguntou: “Então, a gente tá namorando, ou não?” e eu respondi um tímido e arrependido “tamo”. Essa foi a primeira, e garanto que não a ultima, vez que eu me rendi a uma mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;PS: ainda dentro de Isabel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4353629292706285292?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4353629292706285292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4353629292706285292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4353629292706285292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4353629292706285292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/11/as-minhas-primeiras-vezes.html' title='As minhas primeiras vezes'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-177308442558695224</id><published>2008-11-08T09:52:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T09:54:58.939-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Madame Satã e o nada</title><content type='html'>Uma vez, na minha época de faculdade, me levaram no Madame Satã. O Madame é um bar escuro com uma pista de dança mais escura. E ele é muito mais do que simplesmente isso, mas pra mim, ele foi só isso mesmo. Eu tinha conhecido um sujeito com quem eu comecei a discutir e, nessa discussão, o tema “nada” surgiu. E ele me falou o seguinte: “É impossível imaginar o nada, porque a partir do momento em que você tenta imaginar o nada, ele deixa de ser nada para ser alguma coisa que você está tentando imaginar. E discutir o nada é inútil, porque tema de discussão já é alguma coisa, logo, se torna impossível até mesmo discutir o nada. Por definição”. Então, quando eu digo “nada” eu estou tentando me aproximar o máximo da definição de nada e das restrições por ele impostas. Nada é, no máximo, completamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: o madame satã já não existe mais. E isso é de Isabel ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-177308442558695224?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/177308442558695224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=177308442558695224' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/177308442558695224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/177308442558695224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/11/madame-sat-e-o-nada.html' title='Madame Satã e o nada'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-7475798883703174113</id><published>2008-11-01T11:58:00.000-07:00</published><updated>2008-11-01T12:06:50.473-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Teatro. Mais um da isabel.</title><content type='html'>Eu abri a porta de casa. Entrei, meio cambaleando de álcool e sono, direto na sala e desabei sobre o sofá. Acendi um cigarro e puxei o cinzeiro mais próximo para mais perto ainda. O suficiente para eu não precisar mover o tronco para bater a cinza. E fiquei fumando um cigarro com a luz apagada. Mas as luzes da cidade entravam pela porta de vidro da minúscula sacada e iluminavam o ambiente.&lt;br /&gt; Eu não ouvi os passos. Só reparei que ele estava lá quando o vi. A jaqueta surrada, a calça jeans rasgada, a camiseta de banda e o coturno vestindo o ser de barba e cabelos abundantes e uma garrafa de cerveja, daquelas de 600, na mão. Ele tava encostado na parede, olhando pra mim. Acendeu um cigarro que estava na boca com um isqueiro bic que iluminou seu rosto por uns 3 segundos. Era eu. Bem, pelo menos era muito parecido, só que com a barba e os cabelos com o dobro do tamanho dos meus.&lt;br /&gt;- Quantas mulheres você pegou na balada de fresco que você foi hoje?&lt;br /&gt;- Por que eu acho que você já sabe a resposta dessa pergunta?&lt;br /&gt;- Nenhuma, não é? Sabe o porquê? Porque você não tem culhão. Se você tivesse pegado aquela morena de bunda boa, que tava com aquela blusinha verde cheia de frufru, de jeito, você ia ta comendo ela agora. E eu não ia ter que ficar dando sermão pra marmanjo às 4 da manhã.&lt;br /&gt;Por um lado eu concordava com ele. Eu tinha ficado olhando para essa morena durante um tempo. Pensei mais de uma vez em ir falar com ela. Tinha um sorriso lindo e dançava de um jeito que me deixava louco. E ela olhou pra mim algumas vezes, soltou aquele sorriso maravilhoso pro meu lado.&lt;br /&gt;- Era bem mais gostosa que a aquela vagabundinha que você namora. Um homem num pode se rebaixar do jeito que você faz não. Porra, é só ela fazer biquinho que você fica todo caidinho. Ela te prendeu pela boceta. &lt;br /&gt; Foi quando eu vi um outro cara, também com um cigarro na mão, mas bem vestido, de terno. No entanto, a camisa estava meio aberta e a barba meio que por fazer. Eu o vi assim que ele soltou um “Calma ai”.&lt;br /&gt; - Pelo menos ele tem estabilidade com ela – continuou o novo integrante da discussão, apontando pro cara barbudo com a mão trêmula com que segurava o cigarro – Imagina se o puto tivesse que ficar se preocupando em arranjar mulher todo fim de semana, é só mais estresse. Ele num tem tempo pra essas brincadeirinhas de criança não, porra. Ele tem que colocar dinheiro na conta pra poder comer e beber as porcarias que o babaca ali gosta.&lt;br /&gt; Falou essa frase final apontando pra outra pessoa que estava sentada numa cadeira, cuja presença eu ainda não havia notado. Esse tinha cara de ser pseudo intelectual. Estava meio perdido na discussão, com cara de quem estava pensando em outra coisa. Sem deixar cair a máscara de desinteressado na discussão argumentou de volta:&lt;br /&gt; - Eu ? Não. Eu vivo muito bem com pouca coisa. Algum lugar pra escrever, comida suficiente para não morrer de fome e cigarro em abundância. É só isso que eu peço. É só isso que eu sempre pedi. Foi você, companheiro, que sempre se preocupou com dinheiro. &lt;br /&gt; - Alguém tem que se preocupar com dinheiro, porra. Não se vive de poesia. Esse apartamento, o whisky e tudo o mais só ta aqui por minha causa. Minha causa!&lt;br /&gt; E entre gritos de “cala a boca, seu yuppie nojento”, “seu punk de merda” e “pseudo intelectual do caralho”, eu vi Isabel. Ela surgiu e todos ficaram quietos. E eu queria falar alguma coisa, mas a simples “presença” dela me impedia de abrir a boca. E eu olhei para baixo e me vi totalmente acorrentado. O metaleiro colocou um olhar de revolta resignada na cara, e o pseudo intelectual tirou a mascara de desinteresse e mostrou sua face de desprezo respeitoso. O yuppie engoliu o ego e se sentou. Eu não lembro exatamente do resto. Dormi no sofá mesmo. Acordei no dia seguinte com o sol na cara e dor de cabeça. Foi essa a noite que eu percebi minha situação. Foi esse evento que me fez ver as correntes que me prendiam. Eu passei o dia me lembrando dos meus sonhos de criança. De ouvir Iron Maiden e Metallica. E de depois começar a escrever e me interessar por literatura. E do dia que eu passei no vestibular de economia, pensando que se eu não conseguisse salvar o mundo, pelo menos eu não ia morrer de fome. E da minha mãe feliz e de eu gradualmente desistindo de salvar o mundo. Existe alguma coisa que valha a pena ser salva? Naquele dia não existia. Nada. Completamente nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-7475798883703174113?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/7475798883703174113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=7475798883703174113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/7475798883703174113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/7475798883703174113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/11/teatro-mais-um-da-isabel.html' title='Teatro. Mais um da isabel.'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-2229273572467408763</id><published>2008-10-25T10:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T10:47:40.150-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Isabel, mais uma vez</title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.4  (Win32)"&gt;&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { size: 8.5in 11in; margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } 	--&gt; 	&lt;/style&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;Chef&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;"&gt;	O lugar era pequeno, espaço para umas seis mesas, no máximo, mas havia apenas quatro. Questão de conforto. E mesmo assim não estava completamente cheio, duas mesas ocupadas apenas, contando a minha. O dono era um amigo meu. Ele mesmo cozinhava e servia os clientes, também sugeria vinhos e tudo o mais. E, apesar de eu poder comer de graça, eu preferia ficar só bebendo geralmente. E pela bebida eu pagava, mas só preço de custo. Eu não conseguiria pagar por nada ali se fosse pelo preço do cardápio. Com certeza eu nem conheceria o lugar se o dono não tivesse feito faculdade comigo. Alias, eu não comentei, mas eu me graduei em economia. Eu sou um economista. Eu aprendi a pensar na margem. Quatro anos de curso, os quais eu fiz em cinco, para aprender a pensar na margem. Para aqueles que não entenderam o que eu quis dizer com pensar na margem aqui vai uma pequena explicação. Como um ser racional, eu tenho que pensar “na ultima unidade”... Bem, é meio difícil de explicar sem aquela matemática chata toda. É assim que eu deveria maximizar minha utilidade, meu prazer. Se eu fosse racional, perfeitamente racional, como pregam os modelos dos meus queridos companheiros ortodoxos, eu nunca teria ficado do jeito que eu fiquei com a Isabel. Emoções fodem a racionalidade. Muito. Mas voltando ao restaurante do meu amigo. O nome dele meio que não importa, afinal, do dia que ele contou que tinha feito um curso de culinária em diante a gente só chamava ele de “&lt;i&gt;chef&lt;/i&gt;”. Ele tinha acabado de puxar o saco do grupo de babacas riquíssimos que estavam na outra mesa e veio sentar comigo. Trocamos palavras e conversas inúteis durante quase toda a noite. Ele se levantava de vez em quando para atender algum pedido. Nada que tomasse muito tempo, a garrafa de whisky ficava na mesa e eles já tinham se empanturrado de comida e gastado o suficiente para eu conseguir viver durante um mês inteiro. Eles iam lá porque era reservado. Podiam falar das putas que comeram sem as mulheres ouvirem e fechar negócios, legais ou ilegais, em &lt;i&gt;off. &lt;/i&gt;E a comida era boa e o lugar bonito. Pagavam um extra pela discrição. Lá pela meia noite, quando os executivos estavam saindo pro puteiro de luxo ou pras suas casas com suas mulheres, o chef me chamou pra sair com ele. Um lugar que ele queria ir, novo. Eu não conhecia, mas fui. A Isabel estava numa viagem de negócios e eu tinha ficado sozinho. Então eu fui. O lugar, foi me dito, chamava Rising Sun, como na música “The house of the rising sun”&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-2229273572467408763?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/2229273572467408763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=2229273572467408763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2229273572467408763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2229273572467408763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/10/isabel-mais-um-vez.html' title='Isabel, mais uma vez'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1360214279760989856</id><published>2008-10-19T20:45:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T20:47:48.189-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Isabel, novamente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pausa para lamentação 1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito que eu sinto falta da Isabel. Eu sinto falta do sexo. De ver aquela mulher, que se mostrava tão forte, se submetendo carinhosamente aos meus pedidos e olhando pra mim como se eu fosse seu Deus. Do momento em que o orgasmo é o único desejo e a agonia da espera e a precipitação arranham as costas. Eu sinto falta de ver o sorriso sincero da alma cheia, completa. Do prazer correspondido. E do fim. E eu esperaria na soleira da porta dela o tempo que fosse necessário. Sussurrando o nome dela por toda a eternidade. Isabel Isabel Isabel Isabel. Isabel. Ainda sinto o corpo dela. Meu pau ainda a sente. Meus olhos ainda a vêem. Mas eu não teria forças para romper novamente as barras. Isabel é como um vício, eu nunca vou deixar de lembrar, eu nunca vou deixar de ser viciado, mas eu consigo me controlar agora. Porque eu sei que eu ia acabar morrendo ali. E eu não queria morrer ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1360214279760989856?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1360214279760989856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1360214279760989856' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1360214279760989856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1360214279760989856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/10/isabel-novamente.html' title='Isabel, novamente'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-494961606632229375</id><published>2008-10-12T12:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T12:43:28.365-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Isabel 2</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Isabel Cia. Ltda.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel tinha longas pernas e belos seios, e desculpem as intertextualidades que se seguem, revestidos de uma pele branca como a neve, gentilmente tocada por um cabelo negro como a noite que cai. Olhos escuros e profundos. Mas era uma mulher real, embora antes eu realmente me negasse a ver isso. Tinha celulite e estrias, senhores e senhoras, e alguns “pneuzinhos” que sobravam para fora de calças mais apertadas. O que não significa que fosse gorda, era até bem magra. E cagava. E usava trinta mil produtos químicos no cabelo e cremes para a pele e tinha que se depilar aqui e ali e tirava as sobrancelhas e tinha mau hálito pela manhã e suava em dias de calor e teve que usar aparelhos quando mais nova e tinha espinhas quando ficava nervosa, apesar das pobres espinhas rapidamente serem eliminadas por mais produtos químicos, e usava quilos de maquiagem para cobrir as espinhas mais resistentes e fazia a unha duas vezes por semana, e usava lápis de contorno labial e ia a academia todos os dias e tomava três banhos, um de manhã, um no horário de almoço e um antes de dormir, e usava perfume sempre e contava freneticamente as calorias de tudo que comia. E tinha tempo de ser competente no trabalho, era gerente de marketing da filial de São Paulo de uma empresa mais ou menos grande, que se preparava para abrir o capital e expandir seus negócios para outros países do mercosul. Ela respondia diretamente para o diretor de marketing, um tal de Bruno. Alto, com um rosto angular e fino. Lábios finos e secos numa boca mais ou menos grande. Cabelos ondulados constantemente penteados para trás com gel. Uma leve barriga de chopp, que ele tenta desesperadamente fazer sumir com aulas de abdominal e horas de esteira. Mas era um cara até gente boa, apesar de bobo. A Isabel não gostava dele, mas fingia que gostava. E ele era apaixonado por ela, dava para ver nos olhos dele. Mas era tímido, o pobre coitado. Ele tentava se mostrar comunicativo e, eu lembro, de uma vez que nós fomos juntos a uma festa. Eu, a Isabel e o pessoal do escritório dela. Ele se virava bem com as garotas, fazia bem o “cerco”, mas não era muito bom na hora, coloquemos assim, de finalizar o projeto. E eu sentia que com ela o problema era ainda maior.&lt;br /&gt;Isabel também era amiga da Flávia, uma mulher cuja idade mental rondava os quinze anos. Não que ela fosse burra, de maneira nenhuma, ela só era infantil no trato com as pessoas. Flávia tinha uma fortíssima vocação para psicóloga. Era o ombro no qual todas as suas amigas iam chorar. E talvez por ser pouco dotada de beleza física, ela não tinha uma vida sócio-sexual muito ativa, problema que ela resolveu vivendo a vida de suas amigas na sua imaginação. Mas no fundo era uma pessoa linda, quase a Isabel “virada do avesso”. Um grande coração. Infelizmente uma grande barriga, proporcional a suas grandes pernas e bochechas e braços e tudo o mais. A Flávia tinha se tornado minha amiga também, mas com algumas restrições. Por exemplo, teve um dia que nós estávamos no bar, só eu e ela, bebendo cerveja. Era um bar pequeno. A palavra boteco se encaixaria melhor do que bar, no caso. Conversávamos sobre o mundo, as guerras, as mortes, a fome, o capitalismo, o socialismo e coisas do gênero. Criávamos teorias e respostas de mesa de bar, aquelas que fazem rir. E rir das possíveis soluções para os problemas do mundo é minha definição de humor negro. Não era o assunto, nem o tipo de humor, preferido da Flávia então com o tempo ela foi parando de rir e ficando mais quieta. Eu desisti do assunto, mas não sabia muito bem sobre o que falar. Não me sentia num dia bom pra fofocas e coisas do gênero, e esses sim eram os assuntos preferidos dela. Fofocas moderadas, que fique bem claro, ela era uma moça confiável em relação aos segredos que contavam pra ela. Eu ainda estava com a Isabel, mas eu já estava tomando consciência do buraco em que eu estava metido e começara a ficar desesperado com a situação, mas o problema ainda não havia chegado ao pico. Ela virou pra mim e perguntou “E como vai você e a Bel?” voltando a esboçar um sorriso no rosto. Eu fui sincero e expliquei pra ela que a Isabel me prendia dentro da minha própria cabeça e que eu estava começando a me preocupar com os efeitos disso em mim e que por isso nós não estávamos muito bem pelo meu lado das coisas e por ai eu fui. E nessa hora ela deu um sorriso solidário e me olhou com um olhar empático e compreensível e disse “Eu te entendo”. E eu odeio isso, e eu odiei ela naquele segundo e por alguns minutos. Não, você não sabe como eu me sinto. Só eu sei como eu me sinto e mais ninguém. Ela nunca tinha passado por nada parecido. Mas o resto nela compensa. Pelo menos como amiga, eu acho. É, só como amiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-494961606632229375?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/494961606632229375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=494961606632229375' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/494961606632229375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/494961606632229375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/10/isabel-2.html' title='Isabel 2'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1085356831572630517</id><published>2008-10-06T05:13:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T05:19:51.695-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Os nomes e Isabel</title><content type='html'>Bem, como iso é um blog e afinal de contas nem todos os textos que eu posto aqui são necessariamente ligados a esse projeto dos nomes, apesar de ultimamente ter sido isso que tem me motivado, eu devo essa explicação que eu vou dar agora. Pelos próximos 13 posts relacionados a esse projeto estaremos dentro do nome Isabel. Eu vou adicionar a tag a ele também, caso haja vontade de olhar coisas específicas dentro dele, afinal de contas são 13 capítulos só disso e ele é bastante mais linear do que os outros posts. Segue então o primeiro capítulo de Isabel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O começo do agora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conseguiu um jeito de me segurar. Por toda a eternidade. Eu tinha certeza que não haveria maneira. Ela entrou na minha cabeça como ninguém mais nunca havia conseguido. Eu era minha própria prisão. Preso a minha moral e ao meu tesão. Meus olhos e meu tato indefinidamente controlado pelas palavras que entravam no meu ouvido. Ela sabia quando me empurrar. Ela sabia controlar meus acessos de raiva, os quais foram se tornando mais e mais constantes conforme eu ia tomando conhecimento do meu estado, da minha condição. Do meu inferno.&lt;br /&gt;Eu conhecia meus pecados, o que nunca fez de mim um homem melhor. Mas quem se importa? Mas agora eu cansei de pecados e interrogações. De agora em diante somente meu ponto final, no máximo uma vírgula ou outra, e só quando for indispensável para a sua respiração camarada leitor como ensinava a tia da terceira série “vírgula é para o leitor dar uma pausa e respirar” mas me acompanhe desconhecido confidente através da linha imaginaria que traçaste logo abaixo das letras para não perder a linha certa aonde o fio do raciocínio se segue e quem sabe para concretizar a imagem das entrelinhas sussurrando segredos no seu ouvido e contando tudo que está oculto para olhos incultos nesse texto, incógnito leitor, acompanhe o relato de como eu rompi as barras da minha antes intransponível cela e corri livre quase sem virgulas e sem interrogações até o meu inevitável ponto final aonde morre o autor deste texto mas que fique bem claro que falo do autor e não da máquina que agora aperta as teclas de outra máquina que materializa palavras em uma tela logo a frente da máquina anterior e talvez venha a enviar ordens para que a tinta de outra máquina se derrube no branco virgem de uma folha de papel. Cansei. Quero vários pontos finais. Ininterruptas pausas. Doses homeopáticas de morte. Assim, eu posso enfraquecer o texto e as frases para elas morrerem já cansadas de existir. Para que outra frase possa nascer e construir a história do texto, que eventualmente morre para o nascimento de outro texto, com um novo autor. E, depois do meu momento de euforia, voltemos ao relato do meu trabalho para romper minhas barras e seu conseqüente sucesso. Mas primeiro falemos Dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1085356831572630517?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1085356831572630517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1085356831572630517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1085356831572630517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1085356831572630517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/10/os-nomes-e-isabel.html' title='Os nomes e Isabel'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-4030515593560965905</id><published>2008-09-28T21:21:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T21:25:36.434-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Helena</title><content type='html'>-Todo homem é igual mesmo&lt;br /&gt;-Sério, mais uma dessa e você vai ficar falando sozinha.&lt;br /&gt;-Mas é verdade.&lt;br /&gt;-Eu não me importo de receber rótulos e ser generalizado, mas pra toda generalização tem limite. Segura a onda ai, sinceramente. Eu acho que eu sou bem diferente de vários caras que eu conheço. De alguns eu admito que eu até gostaria de ser mais parecido, mas tem alguns que eu não gosto nem de ser colocado na mesma categoria de ser humano, se você for diminuir essa conta pela metade e ainda falar que é tudo igual, eu vou simplesmente assumir que você é burra ou frustrada.&lt;br /&gt;Ela era linda. Desgraçadamente linda. E se eu conheço os homens, eles teriam diversas reações diferentes frente tanta beleza. Alguns travariam totalmente, alguns veriam na beleza dela um desafio pessoal, alguns se apaixonariam num piscar de olhos, enquanto outros chegariam a ficar com raiva, sem nunca admitir, naturalmente. Eu, do meu lado, simplesmente desisti antes de começar. É como o fluminense jogando contra o barcelona, pra que tentar? Mas o destino tinha colocado ela na minha mesa, ficar quieto seria pior. O Chef olhou pra mim com um sorriso estranho quando ele chegou com ela e com o último caso dele, uma tal de Alice. Parecia querer dizer algo como “Eu sei que você não vai fazer nada, mas pelo menos você não vai me acusar de não ter cumprido o meu lado do acordo”. Ele tinha combinado de me encontrar e tinha combinado de encontrar a Alice também. Como eu me recusei a ficar sozinho olhando os dois se agarrarem como eu sabia que era o padrão em começo de namoro, ele prometeu que ia levar uma mulher interessante pra me fazer companhia caso ele de fato ficasse com essa atitude detestável que ele dizia nunca ter feito. E lá estava eu com uma mulher linda demais pra ser atingida e ele, eu tenho certeza, ria internamente da minha situação enquanto ele se agarrava com a namorada.&lt;br /&gt;-Eu pareço frustrada?&lt;br /&gt;-Você também não parece burra.&lt;br /&gt;Ela me olhou como se quisesse me contar alguma coisa, mas ainda não sentia confiança em falar. Principalmente na frente da amiga. Eu me levantei, olhei para ela, depois para os dois.&lt;br /&gt;-Eu vou comprar cigarro, já volto. Vamos lá comigo, Helena?&lt;br /&gt;Ela se levantou e me acompanhou até uma banca que ficava perto do bar onde nós estávamos. Eu comprei um maço de cigarro.&lt;br /&gt;-Então, se você não é frustrada e nem burra, o que você é?&lt;br /&gt;-Só uma mulher que perdeu a confiança em um homem específico e achou mais fácil culpar todos. Feliz agora?&lt;br /&gt;-Minha felicidade não estava em jogo. Eu tenho meus problemas, mas eu diria que o pior de tudo já passou.&lt;br /&gt;-Qual o nome do seu problema?&lt;br /&gt;-O meu chamava Isabel, e o seu?&lt;br /&gt;-Emílio.&lt;br /&gt;-Ainda te atormenta?&lt;br /&gt;-Vai me atormentar pra sempre. Mas só na minha cabeça pelo menos.&lt;br /&gt;-É, eu entendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-4030515593560965905?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/4030515593560965905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=4030515593560965905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4030515593560965905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/4030515593560965905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/09/helena.html' title='Helena'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6472849422411243213</id><published>2008-09-22T23:38:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T23:40:30.340-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Gabriel</title><content type='html'>O bar era bonito. Bastante diferente dos lugares que eles freqüentavam quando era mais novos. E era isso que Gabriel pensava enquanto esperava sentado sozinho bebendo uma dose de whisky 12 anos, também bastante diferente daquilo que eles bebiam quando iam de bar em bar durante toda a noite, sempre entediados e sempre achando tudo caro e ruim. E de fato, tudo era caro e ruim. Algumas coisas eram muito caras e boas, mas eles não podiam se dar ao luxo das coisas muito caras. Ele estava cansado. O trabalho estava longe de ser aquilo que ele queria que fosse. Tedioso e cansativo. Ele saia todo dia com a cabeça quase explodindo. Mas pagava as contas. E era isso que importava. Havia desistido do sonho de ser ator já a quase 10 anos, quando estava na metade da faculdade de artes cênicas. E não se arrependia de verdade. Alguns sonhos são simplesmente burros. Ele sonhava com o glamour, mas não gostava tanto assim de atuar. Foi fazer engenharia, mesmo odiando matemática. Ele era a exceção da regra que diz que somos melhores naquilo que gostamos. Quanto maior o ódio que ele tinha de matemática, física, química, mais ele fechava as provas e conseguia resolver equações que ninguém mais conseguia. Foi nessa época que ele conheceu o homem que virá encontra-lo hoje. Ele fazia administração e eles se conheceram no bar que ficava perto da faculdade. Perderam contato alguns anos depois que se formaram e, semana passada, Gabriel recebeu um telefonema. Poucas palavras depois e o encontro foi marcado. E apesar de que racionalmente a idéia de ver um velho amigo agradava Gabriel, ele estava se esforçando pra se sentir bem. Seu amigo chega depois de um tempo. Eles se abraçam e conversam sobre trivialidades por um tempo. O amigo havia casado com a namorada dos tempos de faculdade, de quem Gabriel se lembrava bastante bem, e se separara pouco mais de um ano depois. Comentou sobre como ele havia a pouco tempo retomado o sentimento de um beijo como deveria ser. Como se o tempo de relacionamento estável tivesse suprimido um lado essencial dele, e que depois de um tempo, quando o relacionamento já não pesava sobre seus ombros, esse lado voltou a se pronunciar, como se uma glândula tivesse voltado a produzir hormônios há muito esquecidos pelo corpo dele. Gabriel, naturalmente, achou aquilo tudo exagerado. Entendia que a percepção de mundo era subjetiva demais para que fosse julgada de maneira tão leviana como ele acabara de fazer internamente, mas existe um limite pra tudo. Seu amigo conseguiu captar seu olhar de desconfiança e exemplificou o sentimento de uma maneira com a qual Gabriel pudesse se identificar, já que ele nunca havia passado por nenhum relacionamento sólido de longo prazo. Ele usou o trabalho de Gabriel como exemplo de fardo insuportável. E Gabriel fingiu concordar. Fingiu somente, sem concordar de fato, já que não achava seu trabalho insuportável. Ele o suportava, afinal. Perdido nesses pensamentos ele acabou perdendo boa parte da argumentação de seu amigo, percebendo que não lembrava de quase nada que havia sido dito durante um bom tempo, mas que ao menos havia conseguido manter um olhar aparentemente concentrado e interessado, essencial para o convívio social, como ele já havia aprendido. Por mais um bom tempo eles conversaram, sem grandes revelações ou mesmo tópicos que seriam lembrados por mais de algumas horas. Alguns, nem isso. Passariam desapercebidos até mesmo para aqueles que o discutiram. Palavras lançadas como esperma de masturbação. O amigo de Gabriel por fim se levanta e vai embora, deixando a conta para ele, que havia se oferecido pra pagar a conta quando o amigo falou pela primeira vez que já havia dado sua hora. Gabriel se levantou meia hora depois de seu amigo partir, não sem antes olhar o bar em que estava novamente. Realmente era bonito. Andou até a porta do lugar e respirando o ar frio da noite sentiu um cheiro que há muito tempo não sentia. O cheiro aberto e floral de possibilidades. E foi embora pra casa se mantendo coerente com quem ele tem sido nos últimos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6472849422411243213?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6472849422411243213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6472849422411243213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6472849422411243213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6472849422411243213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/09/gabriel.html' title='Gabriel'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-3536893985141865406</id><published>2008-09-17T23:37:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T23:42:00.393-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='utilidade pública'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/SNH3cZEXnQI/AAAAAAAAABE/MSpSIffcl-A/s1600-h/semana_de...gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247247108000947458" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/SNH3cZEXnQI/AAAAAAAAABE/MSpSIffcl-A/s400/semana_de...gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhoras e senhores, eis que chega a semana de comunicação da ESPM, realizada pelo CA4D. Mais do que eu poderia falar, falam os nomes nesse singelo cartaz. Cliquem nele para que a legibilidade aumente. Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-3536893985141865406?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/3536893985141865406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=3536893985141865406' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/3536893985141865406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/3536893985141865406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/09/blog-post.html' title=''/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ilsqdFJ0DFU/SNH3cZEXnQI/AAAAAAAAABE/MSpSIffcl-A/s72-c/semana_de...gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1578785780348052960</id><published>2008-09-16T09:25:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T09:26:51.491-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Fábio</title><content type='html'>-Alô?&lt;br /&gt;-Fábio?&lt;br /&gt;-Eu mesmo, querida. Tudo certo?&lt;br /&gt;-Mesmo restaurante.&lt;br /&gt;-Tá certo, te encontro lá meu amor.&lt;br /&gt;-Vê se não se atrasa. Você parece uma noiva pra se arrumar.&lt;br /&gt;-Tudo bem. Beijos meu amor.&lt;br /&gt;-Tchau.&lt;br /&gt;Já faziam dois meses que os dois, o Fábio e a Marta, se encontravam. Sempre no mesmo restaurante. Sempre no mesmo motel. Algum tempo depois eles passarão a cortar o restaurante. A Marta começará a ficar preocupada com a imagem dela. O restaurante era pequeno. Não mais que oito mesas. O chef gostava de comentar com a Marta que ela era a única mulher que ia lá. Normalmente só homens e algumas bonecas infláveis ambulantes. Comentava também, quando o Fábio demorava, que ele era a única boneca inflável que vinha com um pacote extra. O Chef era também dono do lugar e gostava da Marta o suficiente para fechar o restaurante só pra ela quando ela ia acompanhada. Claro que tudo tinha um preço, geralmente a garrafa de vinho mais cara era pedida, e raramente bebida até o final. Sempre era deixada para trás, o que proporcionava um vinho extra para o Chef beber antes do lugar fechar. O que por sua vez acontecia cedo o suficiente para que ele saísse quase toda noite.&lt;br /&gt;Fábio ignorou a placa de fermeé, entrou no restaurante e viu Marta bebendo um copo de vinho acompanhada do Chef. Eles riam, e ele pensou que ele estava sentindo a coisa mais perto de ciúmes que ele jamais sentira pelo que ele considerava um emprego. Parou ao lado da mesa e recebeu o olhar de desprezo usual do Chef enquanto ele se levantava e ia para a cozinha.&lt;br /&gt;-Ele realmente não gosta de você.&lt;br /&gt;-E você insiste em vir aqui.&lt;br /&gt;-Eu gosto da comida dele, e não poderia me importar menos com o que acham de você.&lt;br /&gt;-Claro, meu amor.&lt;br /&gt;“Ela gosta de mandar. Fica quieto” foi o que ele pensou enquanto pronunciava suas palavras de submissão. Eles jantaram. Beberam. Foram embora para o motel e transaram. Antes das duas da manhã ela já estava em casa. E ele esperava a filha dela descer.&lt;br /&gt;-Demorou hoje.&lt;br /&gt;-Eu tive que trocar o pneu. Deve ter furado no caminho pra casa do trabalho, ai depois eu tive voltar e tomar outro banho. E eu demorei muito pra trocar o pneu, você sabe que eu não sou muito bom nessas coisas, né?&lt;br /&gt;-Essas coisas de homem? Sei.&lt;br /&gt;“Ela gosta de ofender. Fica quieto” foi o que ele pensou enquanto entrava no carro. Alguns meses depois ele irá pela primeira vez tomar uma atitude na vida. Isso resultara em um assassinato nunca ser resolvido, sendo que ele, que seria o principal suspeito, estará morto com um tiro na nuca a queima roupa a menos de um metro do outro corpo. Too little, too late.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1578785780348052960?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1578785780348052960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1578785780348052960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1578785780348052960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1578785780348052960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/09/fbio.html' title='Fábio'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6655501607885100810</id><published>2008-09-07T22:04:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T22:07:52.823-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Emílio</title><content type='html'>Vem cá. Porra, para de se debater. A única coisa que você vai conseguir com isso é me encher o saco. E você não quer me ver bravo.&lt;br /&gt;Babaca, frase pronta de merda. Viu isso num filme do Stallone, foi? Mordaça do caralho. Eu nunca vi ninguém usar silvertape pra nada fora prender a mão de alguém. Pra que serve essa porra? Eu devia processar esses babacas.&lt;br /&gt;Olha aqui, playboy. Eu vou dar uma saída. Você vai fica ai quietinho, tá entendido? Poupe o esforço. Já volto.&lt;br /&gt;Saída. Vou dar uma saída. O cara me sequestra e vai dar uma saída. Idiota. Que tipo de pessoa deixa o cara sozinho. O cara fez tudo sozinho até agora, talvez não tenha mais ninguém mesmo. Incompetente ele aparentemente não é. Se fosse eu não estaria aqui. Ah, chegou o parceiro. Sabia que ele não tava nessa sozinho. Arma com silenciador. Expressão fria. Não tá nervoso como o outro. Não se veste como um marginal.&lt;br /&gt;Senhor Emílio Ferraz. Eu fui contratado para matar o senhor. O cara que acabou de sair foi contratado por mim para sequestrar o senhor. Ele é um incompetente. Digo isso por ter sido exatamente esse o motivo da contratação do mesmo. Pelo que eu pude contar, ele foi visto mais de dez vezes durante o processo de te sequestrar. Enquanto falamos, a polícia já deve estar com um retrato falado dele. Que fique bem claro, dele, não meu. Eu costumo ser mais conciso, mas é que dessa vez o plano foi tão bom. Bem, agora eu sei como se sentem aqueles inimigos do 007. Senhor Emílio, eu vou resolver meus assuntos com o incompetente antes, imagino que seja justo te dar um tempo pra rezar, caso o senhor seja religioso. E acredite, eu não sou o tipo de cara que faz isso. Fábio, vem aqui. Ele, eu vou matar de graça. Só porque ele merece. É a primeira vez dele com esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;Por 15 segundos tudo ficou em silêncio. Emílio viu seu futuro executor se postar ao lado da porta. Fábio entrou e recebeu, incrédulo a ordem de desamarrar Emílio. Concordou com um aceno de cabeça e deu as costas para o homem da porta. Emílio só conseguiu ver Fábio caminhando em sua direção até que, quase antes de ouvir o barulho abafado, ele viu um buraco se abrir na frente da cabeça do Fábio. Sujo de sangue, Emílio rezava para o deus que ele nunca acreditara. Viu um sorriso na boca do homem que caminhava na sua direção. “Não ache que eu me importo, nem que eu de fato goste disso. Eu faço pra me manter vivo. Adeus.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6655501607885100810?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6655501607885100810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6655501607885100810' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6655501607885100810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6655501607885100810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/09/emlio.html' title='Emílio'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1418496305626523510</id><published>2008-08-27T22:15:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T22:10:41.373-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Dumas</title><content type='html'>“Qual seu nome mesmo?”&lt;br /&gt;“Dumas”&lt;br /&gt;“Sério?”&lt;br /&gt;É, sua vaca, sério, o babaca do meu pai adorava os três mosqueteiros, mas era um roceiro e não sabia o que o “A” do A.Dumas queria dizer. E se você não fosse tão gostosa eu realmente falaria isso agora. Ao invés disso eu vou ficar com o: “Diferente, né?”&lt;br /&gt;“É, da onde vem?”&lt;br /&gt;Pelo amor de deus, paciência tem limite, ao contrário de burrice, pelo que parece. “Já ouviu falar dos três mosqueteiros?”&lt;br /&gt;“Já, mas não conheço a história.”&lt;br /&gt;“Homem da máscara de ferro?”&lt;br /&gt;“Com o DiCaprio? Adoro ele! Mas o que que tem a ver? Achei que os três mosqueteiros fosse um livro.”&lt;br /&gt;“É que o Dumas foi o roteirista. Eu tenho que ir no banheiro” Lá de casa “Depois eu volto.”&lt;br /&gt;“Tá certo.”&lt;br /&gt;Pelo menos meu pai não sabia a pronuncia certa de Dumas e eu fiquei com um nome menos bicha. Duas cervejas e uma mulher que não sabia quem foi Alexandre Dumas e eu sou obrigado a andar oito quadras até em casa. Ruas cheirando a mijo, iluminação péssima por causa das árvores. Sinceramente, a necessidade de estar perto do mínimo de natureza realmente é importante ao ponto de acabar com a iluminação de uma rua? Qual era mesmo o nome da mina do bar? Será que era Sabrina? Eu acho que era Sabrina. Mas quem se importa. Mais uma noite de merda. Vou passar duas horas sentado na bosta do sofá vendo algum filme babaca e enchendo a cara com qualquer coisa alcoólica que eu conseguir achar em casa. Depois eu vou bater uma punheta, tomar um banho e ir dormir. Sozinho. Mas foda-se. Só por mais um mês. Ai aquela grana vai entrar. E eu só tive que passar aquele documento. Trezentos mil reais por um pen drive. Melhor négocio que eu&lt;br /&gt;Dumas Augusto Pereira, 27, foi encontrado por uma vendedora de pastel que estava a caminho do seu ponto às cinco da manhã. Os legistas afirmam que Dumas foi executado, considerando o padrão dos tiros, dois na base do crânio e três nas costas, que teriam sido desferidos com o corpo já no chão. Ninguém parece ter ouvido ou visto nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1418496305626523510?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1418496305626523510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1418496305626523510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1418496305626523510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1418496305626523510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/08/dumas.html' title='Dumas'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-2969152512252281664</id><published>2008-08-21T17:03:00.000-07:00</published><updated>2008-08-21T17:05:07.931-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Camilo</title><content type='html'>Que se comporte como uma cadela, mas que não perca seus traços angelicais. E ele não estava fazendo uma concessão. Esse era o ideal. Eu falei pra ele que já tinha ouvido isso em algum lugar. Ele tomou mais um gole de cerveja e respondeu “Provavelmente”. Acendeu um cigarro e passamos mais alguns minutos em silêncio, admirando as mulheres que passavam na calçada onde nossas mesas estavam colocadas aquela tarde. Algumas andavam como se tivessem algum lugar para chegar, vestidas com terninhos e sapatos de salto alto e bico fino. Outras andavam como se já tivessem chegado aonde queriam, olhando os prédios da avenida paulista e procurando algum olhar empático nos transeuntes. Bastantes delas estavam no meio termo. Algumas ainda olhavam para baixo e andavam a meia velocidade, como se tivessem que decidir alguma coisa antes de chegar ao seus destinos e precisassem de um pouco mais de tempo. Eu olhei para meu companheiro de vagabundagem e percebi que apesar dos seus olhos estarem acompanhando os corpos que passavam, sua mente fixava-se em apenas um. “Você ainda não está completamente recuperado, né?” “Nem quero estar. Quero que a cicatriz fique, pra eu sempre poder lembrar” Eu dei um sorriso com o canto da boca e joguei meus olhos para o lado oposto ao dele. Ele entendeu. “Eu não posso ser sentimental?” “Pode, apesar de não combinar com seu jeito, mas ao menos seja original.” “Pra mim isso é novo, qualquer coisa é original”. Ambos trabalhávamos sob encomenda, em mercados diferentes, mas os dois mercados andavam fracos e isso dava tempo pra ficar bebendo cerveja na rua de tarde em um dia de semana. Eu me especializara em conseguir provas de adultério para maridos e esposas ciumentas. Ele em resolver problemas à moda antiga. Aprendi a não julgar as pessoas, mas admito que eu demorei um tempo para me acostumar com a idéia de conhecer uma pessoa assim. Não falávamos sobre trabalho, da minha parte era falta de decoro, da parte dele poderia manda-lo pra cadeira elétrica se ele morasse no Texas, um comentário que ele mesmo havia feito. Ele virou a cerveja, se levantou decidido e deixou uma grana em cima da mesa. Me olhou em confirmação ao valor e eu acenei que sim. Ele saiu andando, sem falar nada. Eu acendi um cigarro e olhei para o céu. Azul. Muito azul. Meu celular tocou. “Camilo falando” Silêncio do outro lado por um tempo. Eu já estava acostumado. As pessoas sempre pensam duas vezes antes de me contratar de fato. Pensam se elas querem realmente saber. Confiro a tela do celular pra ver se ainda há alguem na linha. Desligou. Que se comporte como uma cadela, mas que não perca seus traços angelicais. É, ele realmente tinha exatamente isso. Mesmo com toda a droga ela conseguia manter os traços angelicais. O telefone toca de novo. “Eu quero que você descubra se minha mãe está vendo alguem.” A voz era feminina. “Certo, me encontre no meu escritório, rua...” “Eu sei onde é” “Certo, estarei lá em meia hora” “Estarei esperando”.&lt;br /&gt;Ela achava que a mãe dela estava vendo um garoto de programa. E achava que o garoto de programa na verdade queria dar um golpe do baú. Alias, ela disse que tinha certeza, mas que precisava de provas. Precisava convencer a família. Estava preocupada com a mãe. Na minha opinião ela estava preocupada com a herança. Mas eu aprendi a não julgar as pessoas. O nome dela era Vivian. A mãe se chamava Marta.&lt;br /&gt;No mesmo dia eu comecei meu trabalho. Fui até onde a mãe dela trabalhava. Lugar chique, endereço chique. Era uma figurona de alguma empresa. O marido tinha morrido de um ataque do coração. Stress. Era o responsável latino-americano de uma multinacional. Ela já era rica quando eles se conheceram. Muito dinheiro envolvido realmente. Ela dispensou os seguranças quando saiu do prédio. Entrou num carro sozinha e dirigiu até um motel. Muito fácil. Principalmente porque eu já conhecia a menina que ficava na portaria do hotel, caso antigo que já tinha me poupado muito trabalho. Entrei, tirei as fotos de uma janela no teto, sai. Tudo resolvido. No outro dia eu fiz um doce, pro trabalho não parecer fácil demais. Depois eu entreguei as fotos pra menina e fui pro bar achando que tudo já tinha acabado.&lt;br /&gt;Uma semana depois um babaca me procurou. Perguntou das fotos, da Marta, da Vivian. Foi depois dessas que eu reconheci o sujeito. O michê que tava fazendo a Dona Marta. O cara tava desesperado. Chorou no meu escritório. Por incrível que pareça ele tava fazendo a filha também. E não era realmente garoto de programa, num batia ponto nem nada, mas é tudo igual. Eu aprendi a não julgar as pessoas. Ele foi embora cabisbaixo e eu nunca mais ouvi falar dele. Três meses depois a Vivian foi dada como desaparecida. Um caso muito estranho. Eu só vi porque meu companheiro de vagabundagem acabou deixando o jornal aberto na página da notícia numa tarde dessas de bar quando ele foi atender um telefonema. O cara começou a namorar uma puta. Se comportava como uma cadela mas, como ele, já não tinha nenhum traço angelical. Tudo muito estranho, mas bem, eu aprendi a não julgar as pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-2969152512252281664?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/2969152512252281664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=2969152512252281664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2969152512252281664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2969152512252281664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/08/camilo.html' title='Camilo'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-1665652409711416901</id><published>2008-08-13T23:56:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T00:04:29.222-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Beatriz</title><content type='html'>Ela se deitou no meu sofá e dormiu. Não me deu tempo nem para guardar minhas chaves e mijar. Os pés sujos do chão da noite envoltos nas sandálias de tira de couro ou algo assim, que ela teve o cuidado de não jogar em cima do sofá. Poucas mulheres conseguem beber mais que eu e não cair, e ela não era exceção. E eu não digo isso me gabando de maneira nenhuma. São fatos. Eu venho de uma família de bêbados, não há nada que se possa fazer.&lt;br /&gt;Eu me sentei em uma cadeira na sala, coloquei meus pés em cima do braço do sofá, perto dos dela, que por reflexo natural do sono já estavam manchando todo o estofado. Acendi o último cigarro da noite e olhei para ela. Beatriz. O nome dela era Beatriz. O tipo de mulher que simplesmente não existem perto de mim por mais do que os minutos que eventualmente se perde na fila do banco e alguma delas se posta atrás de você. Saia pseudo hippie e cabelo com dreadlocks. Essa em especial ainda acreditava que o “sonho” não havia morrido. Tinha saído da casa dos pais e ido vender bijouterias feitas de sementes na rua com o cara que ela acreditava ser o homem dos seus sonhos. O cara, como todo homem, não era tudo isso e acabou largando ela quando encheu o saco. Ela continuou vivendo com outros amigos hippies enquanto a depressão não bateu forte o suficiente. Quando bateu ela foi procurar mamãe e pedir desculpas. Colocou as coisas de volta em um eixo qualquer e agora seguia com a vida. Encontrei com ela em um bar, ela era amiga da namorada de um amigo meu que estava indo pra África trabalhar com crianças abandonadas e resolveu dar uma festa de despedida. Não me perguntem como eu conheço um cara que realmente cogita e vai pra África trabalhar com crianças, porque eu mesmo me pergunto isso às vezes. Mas de qualquer maneira, lá ela estava, sentada do lado da única cadeira vazia do lugar quando eu cheguei. Bebemos exaustivamente e quando o bar estava pra fechar ela me pediu pra levar ela para casa. No carro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você mora aonde?&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Você me pediu pra te levar pra casa, lembra?&lt;br /&gt;- Sim, pra sua. Briguei com meus pais hoje e não queria voltar pra minha casa. Vai, eu te faço um omelete de manhã.&lt;br /&gt;- Meus ovos acabaram.&lt;br /&gt;- Eu te bolo o melhor haxixe da sua vida.&lt;br /&gt;- Não to na pegada.&lt;br /&gt;- Eu vou embora antes que você acorde.&lt;br /&gt;- Não precisa. Relaxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então aqui estamos. Comigo ainda me perguntando como essa mulher veio parar no meu sofá. E como diabos o pé dela ficou tão sujo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-1665652409711416901?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/1665652409711416901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=1665652409711416901' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1665652409711416901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/1665652409711416901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/08/beatriz.html' title='Beatriz'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-8736090101363400402</id><published>2008-08-06T13:50:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T00:03:38.173-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><title type='text'>Culpa</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Então eu fui viajar e passei um tempo impossibilitado de postar. E depois toda a vez que eu pensava em postar eu queria postar textos que estavam no computador que eu não estava usando. A preguiça era maior e eu acabei sem postar. Agora eu estou me sentindo culpado de ter largado completamente o blog durante tanto tempo e coloquei um texto que merecia, sinceramente, uma revisão. Um dia eu falto, ele fica aqui pela idéia. Segue o texto e fica a promessa de mais regularidade nos posts.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e o que mais?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sofro cronicamente de falta de assunto. O problema básico é acreditar que poucos assuntos são relevantes. E isso é extremamente problemático para mim por dois motivos. O primeiro é essa necessidade estúpida que eu tenho de escrever. Digo estúpida pelo claro paradoxo que se dá entre essas duas características minhas. Eu preciso escrever, mas eu não tenho absolutamente nada que eu acredite relevante para escrever sobre. E esse paradoxo gera momentos como esse, um idiota explicando porque as linhas anteriores do seu texto são tão irrelevantes e mesmo assim foram escritas. Foram portanto, escritas simplesmente para serem explicadas. E o segundo, e menos paradoxal, problema é que eu adoro o som da minha própria voz. Tratemos disso, que me pareceria tão inútil quanto, mas menos desinteresssante e metalingüístico que o meu primeiro problema, não fosse a epopéia que esse meu amor me levou a viver.&lt;br /&gt;Pensando agora sobre isso me lembrei da primeira vez que eu ouvi minha voz sendo reproduzida por algo que não fosse minha boca, ou pelo menos uma das primeiras vezes, já que a lembrança dos meus primeiros anos não me é tão clara quanto para algumas pessoas que afirmam se lembrar claramente de sua festa de aniversário de três anos. Minha mãe adorava filmar, hábito que passou por forte decadência com o fim do vhs e o começo do dvd apenas para ser retomado com o século vinte e um e a mídia digital e o you tube e assim por diante. Esse hábito de minha progenitora gerou diversos vídeos, hoje completamente perdidos junto com o vhs e o interesse geral por eles, de festinhas e churrascos e confraternizações e jantares e natais e páscoas e todas essas possíveis desculpas para se fazer um vídeo. Eu me lembro de me ver falando pela TV que reproduzia o vhs gravado pela minha mãe de algum aniversário meu qualquer. Absolutamente nenhum efeito estranho. Para mim, tava tudo lindo e tudo bem. O choque veio mesmo depois de um tempo quando eu ganhei um gravadorzinho colorido da gradiente, salvo engano. Gravei minha voz. E depois cometi o pecado de escuta-la. O motivo de tal discrepância de realidade, a qual todos já devem estar acostumados, só foi resolvido na minha simplória mente muitos anos mais tarde por um professor de ciências que explicou que o som é formado de ondas – claro, professor, eu nado nas ondas do som todo dia com pink floyd – que não carregam matéria, mas que carregam energia, e que no entanto precisam de um meio material para se propagar – esse comentário do meio material foi a única coisa indispensável que eu escrevi até agora – normalmente no dia-a-dia esse meio sendo o ar. No entanto, a onda não é pré-conceituosa e se propaga em qualquer meio que aparece pela frente, mas se propaga de maneira diferente em cada meio que utiliza, sendo assim – finalmente – o som que eu ouço da minha própria voz não é o som que as pessoas ouvem da minha voz, mas sim uma mistura desse som com o som que eu ouço desse som se propagando pelos meus ossos da cabeça. E depois de um período de alta repetição da palavra som, eu posso agora concluir. Minha voz, na minha cabeça, é linda. Eu sinceramente me ouço como se eu fosse a merda do supra sumo da melodia. Suave, grave e marcante. Eu sou apaixonado pela voz que eu ouço na minha cabeça. Principalmente depois de passado o período cruel da vida de todo adolescente em que sua voz varia do agudo “mocinha cú doce” pro grave “viado eu? Nunca”. Depois disso minha voz conseguiu atingir o tom perfeito. Na minha cabeça, vale sempre a pena repetir. No entanto, pesquisas e a minha própria impressão, mostram que minha voz é mediana apenas. No máximo. Agora, imagine que eu tenho vontade de falar. Mas não tenho sobre o que falar e minhas tentativas de cantar nunca fizeram sucesso. Inclusive durante um tempo eu falava tão pouco que eu tinha dificuldade em pronunciar as palavras. Por deus, eu escrevia mais rápido do que falava. Porque sempre tem alguem que te faz escrever sobre alguma coisa, mesmo que você não esteja muito afim. Mas pouca gente quer realmente que você fale alguma coisa fora um mero “uhun” que não exige articulação bocal e nem me sacia a ânsia pela minha voz.&lt;br /&gt;Sendo assim, passei alguns anos da minha vida tentando encontrar uma maneira de ouvir sempre a minha voz da maneira como eu a ouvia sem precisar ficar constantemente a procura de assunto. A primeira tentativa óbvia foi pegar um desses programas de emulação de voz, desses que menininhas bonitinhas e gostosas se utilizam para virar grandes cantoras pop mesmo sem conseguir falar sem desafinar no tom que elas cantam. O resultado não foi tão negativo, mas mesmo depois de dois anos estudando aqueles programas e fazendo diversas tentativas fracassadas eu não consegui chegar na minha voz exata. E depois disso eu desisti por algum tempo. Resolvi que ia seguir com a minha vida sem assunto, mesmo sem a beleza da minha própria voz. Mas assim como Narciso não conseguia viver sem olhar seu reflexo no espelho d'água, eu sentia falta da minha própria voz. Pensei até em ir a um psicólogo depois de um tempo, tamanha falta que minha voz estava fazendo em minha vida. Acreditei que estaria matando dois coelhos com um cajadada só, já que poderia passar pelo menos uma hora por semana explicando para alguem o motivo da minha tristeza e assim, já estaria diminuindo a mesma, com o som da minha própria voz. Algumas sessões depois tudo que eu consegui foi passar uma hora por semana olhando para o teto e ouvindo o psicólogo em vão tentar me fazer falar mais do que monossilabas com aquela voz irritante que ele tinha.&lt;br /&gt;Tentei em vão achar uma voz tão boa quanto a minha. Ouvi todos os grandes cantores: Frank Sinatra, Pavarotti, Freddy Mercury. Nada. Participei de saraus de poesia, onde eu poderia ler poetas que eu gostava ao som da minha própria voz sem ferir os ouvidos de ninguém com as minhas desafinadas freqüentes de quando eu tentava cantar, mas eu não consegui achar nem um poema que valesse a pena ser lido frente a mais nenhuma outra pessoa fora eu mesmo no espelho. E simplesmente ler um poema pra si mesmo em voz alta já gerava algum descontentamento no meu prédio, de paredes finas e vizinhos chatos, que só não se incomodavam com as tv's ligadas porque eram ligadas sempre no mesmo canal, gerando um uníssono bizarro pelo pequeno prédio de três andares em que eu morava.&lt;br /&gt;Tentei ir em karaokês, mas descobri que a minha voz saindo do alto falante era mais alta do que a minha voz na minha cabeça. Tentei fazer yoga e meditação, para que eu pudesse ouvir pelo menos um mantra entoado pela minha voz, mas além de não ser suficiente, eu não tinha a elasticidade necessária para mais da metade da aula e então comecei a ficar com vergonha de ir. Cheguei até a fazer aulas de teatro, mas os exercícios de confiança me deixavam muito desconfiado.&lt;br /&gt;Já descrente de que um dia eu pudesse ouvir minha voz constantemente sem precisar de assunto, eu tive a idéia mágica. Seria OPERADOR DE TELEMARKETING. Horas e horas falando com uma pessoa que realmente não quer te ouvir. Perfeito. No entanto o trabalho era tão ruim que eu fui forçado a sair em menos de seis meses. Quase a mesma coisa aconteceu quando eu pensei em fazer pesquisa pessoalmente na rua, a diferença é que eu me sentia muito mal em abordar as pessoas cara a cara com uma coisa tão irrelevante que eu acabava não falando com quase ninguém. Pensei também em ir dar aula de história num cursinho pré-vestibular. Depois de um ano eu fui demitido porque todos os alunos tinham ido mal no vestibular em si. Aparentemente eu não dei a matéria que caia na prova, apesar de eu achar que eu só não havia dado o completamente irrelevante. Depois de ler a prova eu percebi que a irrelevância das questões era muito maior do que eu tinha previsto e resolvi nem tentar novamente. Mas aquele foi um bom ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-8736090101363400402?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/8736090101363400402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=8736090101363400402' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8736090101363400402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/8736090101363400402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/08/culpa.html' title='Culpa'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-2407940659152939850</id><published>2008-06-14T10:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-14T10:42:19.973-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura barata'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nomes'/><title type='text'>Os Nomes e Alice</title><content type='html'>Eu sempre odiei colocar título nos meus contos. Nunca achava nada que realmente eu gostava. Hoje em dia eu já não tenho esse problema e nem esse ódio. A publicidade tinha que me ensinar alguma coisa, afinal de contas. Mas na época que eu ainda tinha pouco saco eu comecei a escrever textos com nomes de pessoas. Me pareceu uma boa idéia fazer um texto que falasse de uma pessoa através de uma situação. E depois várias ideias de o que fazer com um texto entitulado com o nome de uma pessoa vieram na minha cabeça. No fim das contas eu tenho alguns textos com nome de pessoas. E eu pensei, "porque não fazer um alfabeto de pessoas, agora que eu tenho o blog?" Então, é isso que eu vou fazer. Começo agoa com a letra A. Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alice&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;- Fazendo alguma coisa?&lt;br /&gt;- Não, na verdade não.&lt;br /&gt;- Vagabundo.&lt;br /&gt;- E você, fazendo alguma coisa?&lt;br /&gt;- Sai do trabalho agora.&lt;br /&gt;- Workaholic.&lt;br /&gt;- Nem sou.&lt;br /&gt;- São 10 da noite. Eu sou menos vagabundo do que você é workaholic.&lt;br /&gt;- Talvez.&lt;br /&gt;- Vem aqui pra casa.&lt;br /&gt;- Eu não sei aonde você mora, lembra?&lt;br /&gt;- Perto da sua casa, na verdade. Destiny, babe.&lt;br /&gt;- Ahan, destiny, sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu depois disso. Mas veio mesmo assim. Apesar de eu não saber por que eu continuo chamando mulheres pra vir no meu apartamento. O lugar passa uma péssima impressão de mim. Infelizmente é a impressão verdadeira no caso. Que eu sou um vagabundo. Nada na geladeira, caixas de pizza e de sanduíches e de comida chinesa espalhadas pela comodidade do momento. Mas mesmo assim. Nenhum outro lugar tem o cheiro de noite que o meu apartamento tem. O cheiro frio da noite. O cheiro molhado da noite. O cheiro lubrificado da noite. Mas foda-se. Ela me ligou, o apê pode ser o que for, ela me passou uma impressão mais forte do que a impressão de vagabundo que meu apartamento vai deixar. Ela já é minha. Ela já é minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vista do seu quarto ser um hospital não te deprime?&lt;br /&gt;- Nem um pouco. Na verdade, eu normalmente nem reparo nele. Não como um hospital, pelo menos.&lt;br /&gt;- Como o que então?&lt;br /&gt;- Como uma construção, oras. Afinal de contas, no fundo é o que ele é.&lt;br /&gt;- Mas mesmo assim. O tanto de gente que morre lá.&lt;br /&gt;- Eu não sou espiritualista. Não acredito em energia. E nem dá pra ver o que rola lá dentro daqui.&lt;br /&gt;- Já pensou em comprar um binóculo?&lt;br /&gt;- Já. Mas me falaram que ia ser muito doentio.&lt;br /&gt;- Nem, dava até pra fazer um filme daqui. Tipo janela indiscreta.&lt;br /&gt;- Ou seja, já fizeram. E eu não sou nenhum Hitchcock.&lt;br /&gt;- Pessoas já fizeram sexo, e você não é nenhum Casanova.&lt;br /&gt;- O comentador esportista?&lt;br /&gt;- Rá, rá, rá...&lt;br /&gt;- Certo, certo, a piada não foi boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A piada não foi boa, mas eu ri. Ela ficou encostada no parapeito da janela. Eu estava sentado na cama, o que me permitia vê-la e a vista da janela ao mesmo tempo. Salvador Dali e sua Gala na janela. Mas sem as roupas e sem o dia ensolarado. Prefiro o meu quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho que ir.&lt;br /&gt;- Beleza. Consegue achar seu caminho pra casa sozinha?&lt;br /&gt;- Espero que sim, né?&lt;br /&gt;- Consegue, consegue.&lt;br /&gt;- Até porque o vagabundo quebrado não tem carro, e eu não teria como largar o meu aqui.&lt;br /&gt;- Vai, admite que isso tem seu charme.&lt;br /&gt;- Na verdade, não. Todo esse lance canalha malandro que você joga num funciona tão bem mais.&lt;br /&gt;- Na verdade, tem funcionado bem.&lt;br /&gt;- Acredite, você tem outras qualidades que fazem esse lance valer a pena.&lt;br /&gt;- Não faz nem cinco minutos eu num era nenhum Don Juan.&lt;br /&gt;- Rá, rá, rá. E era Casanova.&lt;br /&gt;- É mesmo, o comentador esportista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez ela riu. Humor é repetição. Ela se vestiu e foi embora. E eu fiquei procurando estrelas no céu de São Paulo. Eu realmente deveria comprar um binóculo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-2407940659152939850?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/2407940659152939850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=2407940659152939850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2407940659152939850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/2407940659152939850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/06/os-nomes-e-alice.html' title='Os Nomes e Alice'/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7624217599656233793.post-6134040632546668535</id><published>2008-06-11T07:24:00.000-07:00</published><updated>2008-06-11T07:42:48.714-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Bem. Eu não ia fazer um post de "olá" nem nada do gênero. No entanto, eu Acho que começar a colocar coisas do nada fica um pouco estranho. Até porque, é preferível eu explicar as coisas de uma vez aqui do que ficar explicando pra cada pessoa. Então é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu senti falta de ter um blog. As duas últimas tentativas foram boas enquanto duraram, mas eventualmente acabaram se perdendo por falta de tempo e comunicação. Mas foram boas enquanto duraram. Por questão de mera referência, essas tentativas a que me refiro fora o Fluxo ( &lt;a href="http://www.organelasaflitas.blogger.com.br/"&gt;http://www.organelasaflitas.blogger.com.br/&lt;/a&gt; ) e o Blefe ( &lt;a href="http://www.blefe.wordpress.com/"&gt;http://www.blefe.wordpress.com/&lt;/a&gt; ). O negócio é que acabei ficando com um monte de texto engavetado, que eu acabei mostrando pra poucas pessoas. E não que eu ache que esse blog será tão visitado quanto o kibeloco, nem nada do genênero, mas é legal poder simplesmente passar um endereço pras pessoas que eventualmente se interessarem em ler. E com o fluxo, eu, e as pessoas que escreviam comigo, até conseguimos um público interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, sobre esse blog. Eddy is no more é, supostamente, parte das últimas palavras do Edgar Allan Poe. Parece que foi algo como "Write Eddy is no more" e alguma coisa antes que eu realmente não me lembro. A idéia básica é publicar literatura barata mesmo. No entanto, eu acho meio cato esse negócio de texto puro e nada mais. Vou acabar colocando alguma coisa que me chamar atenção, quem sabe até algum eventual anúncio que eu fizer. Aceito colaborações. Com o empo as coisas vão tomando uma forma melhor e tudo fica mais claro. Por enquanto é isso mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7624217599656233793-6134040632546668535?l=eddyisnomore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/feeds/6134040632546668535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7624217599656233793&amp;postID=6134040632546668535' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6134040632546668535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7624217599656233793/posts/default/6134040632546668535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eddyisnomore.blogspot.com/2008/06/bem.html' title=''/><author><name>SolidRotgut</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_ilsqdFJ0DFU/SE_j9XGOd5I/AAAAAAAAAAM/3Z1IwSjYT6w/S220/tampinha9ik.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
